quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Eduardo Guimarães: Finalmente Lula me pagou


Demorou, mas o presidente Lula finalmente me pagou por ter lutado pelo mesmo projeto que ele ao apoiá-lo durante mais de vinte anos em sua caminhada para chegar à Presidência da República e para conseguir exercê-la da forma histórica e benéfica que até seus inimigos reconhecem.

Na verdade, porém, não posso desfrutar sozinho desse pagamento porque os leitores deste blog também fazem jus a uma recompensa pelo apoio que me deram na luta que venho travando para permitir que um governo popular continue promovendo tudo aquilo que transformou este país.

Na verdade, o pagamento veio por conta de uma carta que enviei ao presidente da República logo depois de entrevistá-lo no Palácio do Planalto no último dia 24 de novembro. Poucos dias depois, recebi um envelope pelo correio com um pagamento altíssimo, ao qual nunca imaginei fazer jus.

Vejam, abaixo, quão valioso é o único pagamento que recebi de um político em meus 51 anos de vida. E vejam como o presidente Lula, mesmo tendo demorado a me fazer um pagamento pessoal, foi generoso.

Entenderão por que considero muito só para mim e quero dividi-lo com vocês.


Fonte: Blog Cidadania.com

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Resposta do ministro Jorge Hage a editorial de balanço da revista Veja

Brasília, 27 de dezembro de 2010.

Sr. Editor,

Apesar de não surpreender a ninguém que haja acompanhado as edições da sua revista nos últimos anos, o número 52 do ano de 2010, dito de “Balanço dos 8 anos de Lula”, conseguiu superar-se como confirmação final da cegueira a que a má vontade e o preconceito acabam por conduzir.

Qualquer leitor que não tenha desembarcado diretamente de Marte na noite anterior haverá de perguntar-se “de que país a Veja está falando?”. E, se o leitor for um brasileiro e não integrar aquela ínfima minoria de 4% que avalia o Governo Lula como ruim ou péssimo, haverá de enxergar-se um completo idiota, pois pensava que o Governo Lula fora ótimo, bom ou regular. Se isso se aplica a todas as “matérias” e artigos da dita retrospectiva, quero deter-me especialmente às páginas não-numeradas e não-assinadas, sob o título “Fecham-se as cortinas, termina o espetáculo”. Ali, dentre outras raivosas adjetivações (e sem apontar quaisquer fatos, registre-se), o Governo Lula é apontado como “o mais corrupto da República”.

Será ele o mais corrupto porque foi o primeiro Governo da República que colocou a Polícia Federal no encalço dos corruptos, a ponto de ter suas operações criticadas por expor aquelas pessoas à execração pública? Ou por ser o primeiro que levou até governadores à cadeia, um deles, aliás, objeto de matéria nesta mesma edição de Veja, à página 81? Ou será por ser este o primeiro Governo que fortaleceu a Controladoria-Geral da União e deu-lhe liberdade para investigar as fraudes que ocorriam desde sempre, desbaratando esquemas mafiosos que operavam desde os anos 90, (como as Sanguessugas, os Vampiros, os Gafanhotos, os Gabirus e tantos mais), e, em parceria com a PF e o Ministério Público, propiciar os inquéritos e as ações judiciais que hoje já se contam pelos milhares? Ou por ter indicado para dirigir o Ministério Público Federal o nome escolhido em primeiro lugar pelos membros da categoria, de modo a dispor da mais ampla autonomia de atuação, inclusive contra o próprio Governo, quando fosse o caso? Ou já foram esquecidos os tempos do “Engavetador-Geral da República”?

Ou talvez tenha sido por haver criado um Sistema de Corregedorias que já expulsou do serviço público mais de 2.800 agentes públicos de todos os níveis, incluindo altos funcionários como procuradores federais e auditores fiscais, além de diretores e superintendentes de estatais (como os Correios e a Infraero). Ou talvez este seja o governo mais corrupto por haver aberto as contas públicas a toda a população, no Portal da Transparência, que exibe hoje as despesas realizadas até a noite de ontem, em tal nível de abertura que se tornou referência mundial reconhecida pela ONU, OCDE e demais organismos internacionais.

Poderia estender-me aqui indefinidamente, enumerando os avanços concretos verificados no enfrentamento da corrupção, que é tão antiga no Brasil quanto no resto do mundo, sendo que a diferença que marcou este governo foi o haver passado a investigá-la e revelá-la, ao invés de varrê-la para debaixo do tapete, como sempre se fez por aqui.

Peço a publicação.

Jorge Hage Sobrinho
Ministro-Chefe da Controladoria-Geral da União


Fonte: Grupo Cidadania Brasil

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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

WikiLeaks: E o que fazer com quem considerávamos terroristas?

Por Natalia Viana

Um documento publicado pelo WikiLeaks mostra como os americanos têm dificuldade ainda hoje de lidar com ex-opositores da ditadura militar no Brasil, que na época eram considerados “terroristas”.

O telegrama enviado em 15 de outubro de 2009 ao Departamento de Estado pede orientações a respeito do visto concedido a Paulo de Tarso Venceslau, ex-integrante do grupo Aliança Libertadora Nacional que participou do sequestro do embaixador americano Charles Elbrick.

Ele acabava de obter um visto de turista no consulado dos EUA em São Paulo.

Segundo o telegrama, a diplomacia americana se preocupava que, ao perdoar ex-guerrilheiros, isso enfraqueceria sua luta contra o terrorismo.

“A missão vê implicações potenciais na expedição do visto em termos da política e da mensagem mais ampla dos EUA sobre terrorismo, em especial em relação aos oficiais americanos”, escreveu a diplomata Lisa Kubiske.

Paulo de Tarso participou do sequestro do embaixador americano em 1969 ao lado do deputado federal Fernando Gabeira e do secretário de comunicação da presidência Franklin Martins. Até hoje eles não têm permissão para viajar para os EUA. Em troca da libertação do embaixador, 15 presos políticos foram soltos.
No comunicado, Kubiske explica  que o consulado expediu o visto sem saber do passado de Paulo de Tarso. Para ela, o visto ainda podia ser barrado.

Só deveria ser expedido se Paulo de Tarso renunciasse publicamente ao sequestro enquanto tática válida. “Nós teríamos que buscar essa afirmação”, escreve ela. Mesmo assim, ela observa que “se ele fizesse essa renúncia, expedir um visto a Venceslau constituiria um precedente em relação aos outros sequestradores, pelo menos dois dos quais (Gabeira e Martins) provavelmente vão pedir um visto num futuro próximo”.

A diplomata nota que Gabeira critica hoje em dia o sequestro, mas observa com preocupação que Franklin Martins “se recusa obstinadamente a expressar remorso por seus atos”.

Mesmo assim, Kubiske avalia que seria positivo para a relação entre os países se o visto fosse mantido, “considerando que já passaram 40 anos desde o sequestro e a natureza política da oposição ao regime militar”. Além disso, retirar o visto poderia causar reações negativas na imprensa e no governo.

O telegrama também reproduz parte da ficha de cada um dos sequestradores no FBI.

“De acordo com relatos da imprensa e arquivos do FBI, Paulo de Tarso Venceslau ajudou a planejar detalhes do sequestro, foi um dos passageiros no veículo usado para bloquear o carro do embaixador, rendeu o motorista e foi um dos que entrou no carro do embaixador e o escondeu. Enquanto o embaixador estava preso, Venceslau ajudou a montar a lista de 15 presos políticos que o grupo exigiu que fossem libertados”, diz o telegrama.

Clique aqui para ler a íntegra, em inglês.

Fonte: Blog da Natalia Viana

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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Eduardo Guimarães: A entrevista-bomba de Franklin Martins


No entreato de Natal e Ano Novo, com a turma ainda se recuperando da ressaca natalina, o ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, concedeu uma daquelas entrevistas que a imprensa costuma dizer “bombásticas”. Pena que a audiência deva ter sido pequena. Kennedy Alencar, em seu “É Notícia!”, da Rede TV, deu ao ministro uma chance de falar o que o resto das televisões lhe negou nos últimos quatro anos, desde que assumiu a pasta.

Devido ao amadorismo da Rede TV – que, no meio da manhã de segunda-feira, 27 de dezembro, está com seu site fora do ar –, o blogueiro se vê obrigado a escrever “de cabeça” sobre o que assistiu. Mas, assim que possível, o vídeo da entrevista será divulgado, de forma que seja possível ao leitor conferir a quantas anda a memória deste que escreve.

Em verdade, não será tão difícil porque a parte “bombástica” da entrevista não foi tão longa assim. Versou sobre a suposição de Globo, Folha, Estadão, Veja e companhia sobre existência de intenções governamentais de “censurar a imprensa” e sobre a relação do governo Lula com ela.

Note-se que o ministro foi extremamente hábil, pois reconheceu méritos no governo FHC e em seu titular pela estabilização da moeda sem deixar de dizer exatamente em que ponto ele se perdeu – na falta de um espírito desenvolvimentista e social e na adoção dos cânones neoliberais em geral, do que resultou a privataria. E apesar de dizer que o mensalão não passou de caixa-dois, fez a necessária crítica ao PT de que “ver uma devassa saindo de um prostíbulo não choca, mas ver uma freirinha saindo, é chocante”.

Na parte sobre regulação da mídia, Martins deixou muito claro que o tipo de regulação que se quer fazer é exatamente o mesmo que existe em qualquer grande democracia. Explicou a sinuca de bico em que a parcela da mídia supracitada se encontra por ter que combater a regulamentação e ao mesmo tempo almejá-la para que seja protegida das “teles”, ou seja, das multinacionais de telecomunicações que ameaçam esmagar o PIG com um poderio econômico muito acima do que detém a radiodifusão nacional.

Acima de tudo, nessa questão, o ministro da Comunicação Social deu um recadinho a jornais que acusou de terem servido à ditadura militar: “Não venham nos dar aulas de democracia”.

Mas a coisa pegou fogo mesmo quando a entrevista enveredou pelas relações do governo com a mídia corporativa. Martins acusou, nominalmente, Folha, Estadão e outros de fazerem uma jogada com a oposição tucano-pefelê: “Um levanta e o outro corta”, pontuou o ministro com todas as letras.

E não ficou por aí…
Ao exemplificar o partidarismo midiático, Martins abordou, primeiro, a questão da “bolinha de papel”, lembrando que a Globo, com o peso de sua “credibilidade” – palavra que proferiu em tom irônico –, veiculou uma reportagem de sete longos minutos bancando a versão de José Serra de que teria sido atingido por um segundo objeto, sustentando-a com um laudo fajuto que, na madrugada que se seguiu àquela edição do Jornal Nacional, foi “desmontado pela blogosfera”.

Como se não bastasse, citou, nominalmente, a Folha de São Paulo e a ficha falsa de Dilma, ponderando com o entrevistador o absurdo de um jornal como aquele publicar uma “falsificação contra um candidato” amparando-se na justificativa mambembe de que não podia confirmar ou negar sua veracidade, concluindo que, dessa maneira, o jornal deixa ver que publica qualquer coisa que lhe chegue às mãos contra adversários políticos.

Esta é a síntese da mais dura crítica que alguém do governo fez publicamente em oito anos de mandato do atual presidente. Resta lamentar que assuntos dessa relevância e opiniões tão sonegadas ao público pela grande mídia durante oito anos tenham vindo à tona em um programa que avançou pela madrugada de domingo para segunda em uma época de festas em que ninguém assiste a esse tipo de programa.

Fonte: Blog Cidadania.com

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Brasileiros são o segundo povo mais bonito do mundo

Os brasileiros são o segundo povo mais bonito do mundo, segundo uma pesquisa britânica publicada nesta semana. A terra de Gisele Bündchen e Rodrigo Santoro só perde para os Estados Unidos, de acordo com os cinco mil entrevistados pelo instituto OnePoll, que elegeram a Espanha como o terceiro país com maior número de beldades.

Segundo um comunicado do instituto de pesquisa inglês, os EUA “têm algumas das pessoas mais sexy do planeta. Jessica Alba, Jennifer Aniston e Brad Pitt ajudam o país a ser visto como um berço de gente bonita”.
O instituto diz ainda que “quando você pensa em países de gente bonita, Suécia, Itália, França e Brasil” são lugares que vêm à mente, antes dos “pálidos britânicos”. No caso, o país de David Beckham ficou em sétimo lugar.

México e Argentina são outros dois países latino-americanos a aparecer na lista de 20 países. Na última posição está a Alemanha, da modelo Claudia Schiffer.

Veja o ranking:
1. EUA
2. Brasil
3. Espanha
4. Austrália
5. Itália
6. Suécia
7. Inglaterra
8. Índia
9. França
10. Canadá
11. México
12. Portugal
13. País de Gales
14. Rússia
15. Japão
16. Irlanda
17. Argentina
18. Holanda
19. Escócia
20. Alemanha

Fonte: R7.com

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domingo, 26 de dezembro de 2010

A CORAGEM ANÔNIMA

Carta aberta a um internauta

Por Maria Jandyra Cavalcanti Cunha em 21/12/2010
Ô Jandyra ! Isso não acaba nunca? Já existe bisneto de ex-guerrilheiro.(...) Isso está já passando dos limites. Não demora vai ter descendente de soldado egípcio reclamando de Napoleão Bonaparte. Os crimes de assalto e roubo prescrevem? De terrorismo também? (...) Ficar escavacando feridas é para quem tem algum interesse escuso. Ou dinheiro ou vingança. ("Bacuri" – 17/12/2010 – 11h59)

 O advento da internet como fenômeno mundial via Word Wide Web (1991) produziu um efeito preocupante na mídia brasileira: o anonimato que vulgariza o debate e eleva o nível de gratuita agressividade nos sites, blogs e espaços de discussão. O livre fluxo de ideias em uma democracia pressupõe responsabilidade e identidade, não a clandestinidade de codinomes que escondem a fragilidade de argumentos e a grosseria de gente que não tem coragem de assumir publicamente suas posições.
Na semana passada, assinei o artigo "O Brasil pode acertar as contas com a História", que foi replicado em blogs importantes do país: Ricardo Setti, Sul21, Blog da Maria Helena e no portal de minha própria instituição, a Universidade de Brasília (UnB).
Nesse texto, eu exaltava a recente decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos, da OEA, que condenou o Estado brasileiro como violador do direito à justiça, no que se refere à obrigação internacional de investigar, processar e sancionar os responsáveis pelos desaparecimentos causados pela repressão do regime militar.
A sentença estabelece que o Brasil deve investigar abusos na repressão à guerrilha do Araguaia, início da década de 1970, e contesta mais uma vez a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF, 29/8/2010) de estender os direitos da anistia aos torturadores do regime militar.
Sem prescrição
Na múltipla condição de cidadã, professora e pesquisadora, assumi minhas posições com nome e sobrenome, sujeita às observações e críticas – o que é usual no sistema acadêmico aberto ao livre pensamento no qual estou inserida. Lamento que a grande maioria dos sites ainda admita o recurso aos codinomes, avalizando a prática da opinião semiclandestina.
Exalto, por contraste, o Observatório da Imprensa, um espaço democraticamente aberto a todas as posições, mas sempre atento à plena identificação de seus comentaristas com nome, sobrenome, profissão e cidade de origem, detalhes importantes para dimensionar a diversidade de opiniões que fazem a diferença numa democracia.
Só o anonimato explica a virulência de certos comentários e só a clandestinidade promove a má-educação que rebaixa o nível do debate. É estimulante, portanto, usar do nobre espaço do Observatório para reafirmar essas premissas.
Tenho por hábito recusar o debate com internautas pouco corajosos que evitam mostrar a cara. No entanto, em respeito à responsabilidade da grande maioria do público que leu meu artigo, vou rebater, aqui, os termos enganosos e injuriosos de um internauta oculto sob o codinome de "Bacuri" (leia epígrafe) que comentou o texto em um dos lugares onde ele foi publicado. Respondo:
Ô "Bacuri"! Essa discussão só vai acabar quando o Brasil assumir enfim o debate de seu passado recente, sem preconceito e com igual coragem de seus vizinhos do Cone Sul. Existe de fato bisneto de ex-guerrilheiro, assim como já existe bisneto de ex-torturador. Entretanto, até hoje, temos apenas um dos lados punido pelas leis do país. Guerrilheiros foram presos, torturados, processados, condenados e, enfim, anistiados. E seus torturadores? Existe algum torturador condenado, pelo menos um processado, ao menos alguém preso por um único dia neste país?
É essa brutal disparidade que explica, mas não justifica, a impunidade que protege ainda hoje o aparato repressivo que sustentou a ditadura militar brasileira ao longo de 21 anos (1964 -1985). O oculto "Bacuri" ironiza as demandas das entidades de direitos humanos e da sociedade brasileira, lembrando que, "não demora", teremos descendentes de egípcios reclamando da incursão das tropas de Napoleão Bonaparte à terra dos faraós, no final do século 18.
Algo muito mais grave – que o esquivo "Bacuri" não lembra – é o absurdo sigilo de algo bem mais relevante para o Brasil do que as agruras do Egito sob o exército napoleônico. A Guerra do Paraguai (1864-1870) mobilizou 150 mil soldados brasileiros, ao lado de tropas da Argentina e do Uruguai, e 50 mil dos nossos soldados ficaram para sempre nos campos de batalha. Os documentos daquela guerra, o maior conflito armado da América do Sul, continuam tão secretos nos arquivos do Itamaraty quanto a identidade dos torturadores dos porões da ditadura de 1964.
O escondido "Bacuri" pergunta, fingindo inocência, se os crimes de assalto e roubo atribuídos aos grupos da esquerda armada prescrevem. Esses, de fato, prescrevem. Antes da prescrição, contudo, seus autores foram presos, muitos torturados, todos processados e a maioria condenada. O que não prescreve, jamais, é o crime de tortura, mas nem o dissimulado "Bacuri" conseguirá declinar o nome desses criminosos, porque eles nunca passaram sequer pelo constrangimento da denúncia perante a Justiça brasileira.
Rápido no gatilho
Por fim, o encoberto "Bacuri" produz sua última perfídia, ao dizer que "ficar escavacando feridas é para quem tem algum interesse escuso [por] dinheiro ou vingança".
Cobrar a liberação de documentos secretos e a punição de torturadores para crimes que nunca se apagam não é "escavacar" feridas. É uma obrigação moral de nações que respeitam sua história e seus povos. A médica Michelle Bachelet, que foi presa e torturada pela ditadura Pinochet em 1975 e chegou à presidência do Chile pelo voto popular em 2006, dizia exatamente o contrário do fingido "Bacuri": "Só as feridas lavadas cicatrizam".
Precisamos, sim, escavacar nossas feridas, para especial irritação do recôndito "Bacuri" e seus companheiros com interesses escusos pelo esquecimento ou, pior, pela cumplicidade. Não se quer dinheiro nem vingança contra torturadores. Quer-se a verdade.
Um detalhe especialmente intrigante chama a atenção. Todos aqueles que, como eu, condenam a tortura – um crime de lesa-humanidade que nunca prescreve – apresentam-se para defender esta causa de cara limpa, com nome e sobrenome. Todos os que defendem a tortura e seus algozes nunca se mostram e sempre se escondem sob pseudônimos, codinomes ou apelidos de duplo sentido.
Não se sabe se por descuido, por ironia ou mera provocação, o "Bacuri" clandestino em plena democracia usa agora, para me contestar, o mesmo codinome de um dos mais emblemáticos casos de prisão, tortura, morte e desaparecimento forçado da ditadura brasileira: o mineiro Eduardo Leite, conhecido como Bacuri, membro destacado das duas siglas mais importantes da esquerda armada (VPR, Vanguarda Armada Revolucionária, e ALN, Aliança Libertadora Nacional) e participante dos sequestros do cônsul japonês em São Paulo, Nobuo Okuchi, e do embaixador alemão no Rio de Janeiro, Ehrenfried von Holleben em 1970.
Era, por isso, um dos nomes mais odiados pela repressão. Foi preso em agosto de 1970, no Rio de Janeiro, quando levantava informações para um terceiro sequestro, o do embaixador inglês. Passou pelos centros de tortura da Marinha (Cenimar), na capital fluminense, e pelos porões do DOPS e do DOI-CODI, em São Paulo. Foi barbaramente interrogado por alguns dos expoentes da tortura brasileira – entre eles os policiais Carlinhos Metralha, Ademar Augusto de Oliveira (o Fininho), Astorige Corrêa de Paula (o Correinha), José Carlos Campos Filho (o Campão) e o líder de todos eles, o delegado Sérgio Paranhos Fleury, chefe do DOPS. Eduardo Leite padeceu nas mãos de seus torturadores durante 109 dias, um inferno cinco vezes mais longo do que os 22 dias de tortura (não necessariamente menos sofridos) pelos quais passou a presa Dilma Rousseff na OBAN.
O policial Carlinhos Metralha afirma que Eduardo sobreviveu até o dia 7 de dezembro de 1970 na fazenda "31 de março", o sítio clandestino de tortura que Fleury montou nas cercanias de São Paulo. Foi o mesmo dia em que Carlos Lamarca e a VPR sequestraram o embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher. Sabendo que Eduardo estava preso e sob tortura, a VPR colocou seu nome em primeiro lugar na lista de 70 presos políticos a serem libertados em troca do embaixador. O delegado Fleury foi mais rápido e Eduardo morreu naquele mesmo dia.
Clandestinidade corajosa
A mulher de Eduardo, Denise Crispim, grávida de Eduarda, encontrou seu corpo abandonado pela polícia no cemitério de Areia Branca, em Santos. Estava quase irreconhecível: os dois olhos vazados, as duas orelhas decepadas, todos os dentes quebrados ou arrancados, as costelas partidas, cortes profundos, hematomas por pancadas e marcas de queimadura por brasas de cigarros em todo o corpo. Eduardo Leite, o verdadeiro Bacuri, foi morto aos 25 anos.
Duas semanas atrás, no mesmo dia 7 de dezembro, exatos 40 anos após o seu assassinato, a Câmara Municipal de São Paulo entregou o título de Cidadão Paulistano a Eduardo Leite, mineiro de Campo Belo. A homenagem foi recebida pela viúva, Denise.
O assassino de Bacuri, o delegado Sérgio Fleury, nunca mereceu, nem recebeu nada parecido. O outro "Bacuri", que agora sobrevive na corajosa clandestinidade da internet, deveria escavacar essa ferida para tentar descobrir os interesses nada escusos que explicam tal esquecimento.

Fonte: Observatório da Imprensa

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sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

É Natal!

Por Pedro Jacintho Cavalheiro

Tempo de comer até passar mal, encher a cara, cair bebaço roncando como um porco e acordar com uma baita dor de cabeça no dia 25!!!

Tempo de rever familiares insuportáveis que evitamos o ano todo! Êba!!!

Tempo de encher a criançada de presentes em excesso pra que elas cresçam felizes, poderosas e egoístas!

Tempo de pagar mico em filas imensas nas lojas, gastar o que não se tem, ficar cheio de dívidas e começar o ano apertado!!! Que legal!

Tempo de constatar a hipocrisia no olhar daqueles homens bons por apenas um dia!!!

Tempo de ser hipócrita! Por que não? O negócio é falar o que interessa pra se dar bem!

Tempo de mais acidentes nas estradas, de aumento em 30% de furtos às residências da galera que foi tomar chuva na praia!!! Demais!!!

Tempo de....

O que? Tá achando horrível?

Hmmm...
Então você tem olhos de ver!
Então você vê além das coisas humanas e negativas.
Então Papai Noel visitará sua casa e o AMOR ensinado por aquele a quem se convencionou comemorar o aniversário no dia 25 de dezembro, visitará seu coração!

Feliz Natal!

Que esse amor contamine você tão profundamente que você reparta sua comida e saboreie a ceia que o céu te concedeu! Que você se embriague desse amor e acorde para a vida! Pra sempre!

Que esse amor te pegue tão desprevenido que você, de repente, se veja abraçando sem reservas àquele parente difícil... em que você, talvez, tenha se convertido!

Que você presenteie suas crianças para que elas aprendam o prazer que a doação nos propicia! E não esqueça de dar a elas sonhos, esperança e leveza interior! Não esqueça dar a elas muito amor!

Que você sorria para o vendedor temporário da loja cheia de gente e deseje a ele um feliz emprego novo!

Que você não se endivide além da conta, salvo pela quantidade de pensamentos de amor que irá receber e não terá tempo de pagar!

Que esse amor te dê o mágico dom de entender a verdade nos olhos daquele que se esconde por medo ou timidez!

Que esse amor te faça transparente e generoso ao falar! Que esse amor faça sua palavra acalmar os conflitos. confortar e repousar as almas! Que ele amplie em você o significado de "se dar bem"!

Que esse amor te ajude a evitar acidentes e assaltos desses que acontecem no dia a dia e que às vezes provocamos sem perceber!

Que esse amor te permita tomar chuva na praia! De braços abertos para o céu! Rodopiando para celebrar a vida!

Que esse amor passe a morar no seu coração, pra sempre!

O que? Tá achando tudo bobagem? Você não acredita no Natal?

Mesmo assim, o amor acredita em você!

Feliz Natal!

Fonte: http://culturoscopio.blogspot.com/

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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

WikiLeaks: Brasil negociou imunidade a militares americanos no país

Durante anos, o governo americano pressionou o Brasil a assinar um acordo que garantia imunidade judicial a cidadãos americanos que estiverem no país, em especial um tipo de “blindagem” contra o alcance do Tribunal Penal Internacional  (TPI).

Documentos revelados pelo WikiLeaks mostram que o governo brasileiro chegou a acenar com um acordo “informal” nesse sentido, mas depois recuou.

Mesmo assim, de fato, o Brasil permite uma “blindagem” legal a crimes cometidos por militares americanos em território nacional.

Soldados americanos não podem ser processados pela justiça brasileira se cometerem crimes dento de navios ou aviões militares dos EUA, ou se cometerem crimes durante a realização de exercício militares.

Leia mais

Fonte: Blog da Natalia Viana

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“Tablóide Babaca” diz Julian Assange ao abandonar entrevista para ABC

Dias após a Justiça britânica conceder liberdade condicial a Julian Assange, o fundador do Wikileaks foi entrevistado pelo canal norte-americano ABC. A “exclusiva” era conduzida pelo repórter Jim Sciutto, até que uma de suas perguntas sobre o suposto estupro na Suécia motivaram Assange a abandonar a conversa.

“Eu estava no Tribunal durante todos os momentos e haviam acusações sobre você, forçadamente, tentar abrir as pernas dela, segurando-a para que ela não pudesse se mover...”, dizia Sciutto antes de Assange desistir da entrevista e dar as costas ao repórter da ABC.

Logo em seguida, enquanto o australiano retirava o microfone, Jim Sciutto novamente tentou abordar o australiano que, imediamente, respondeu ao jornalista norte-americano “Tabloid Schmuck”, termo pejorativo que pode também pode significar desprezível e detestável.



Fonte: Portal Comunique-se

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domingo, 19 de dezembro de 2010

Conversa Afiada: Wikileaks mostra como americano mata civis no Iraque

Esse é um dos motivos por que é preciso colocar o Assange na cadeia…


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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Natalia Viana: Um bando de provocadores

Texto retirado do Blog da Natalia Viana.

Reproduzo aqui o que disse o editor do New York Times, Bill Keller,  sobre o WikiLeaks, hoje:

“Ao longo desta experiência, nós consideramos Julian Assange e seu alegre bando de provocadores e hackers como uma fonte. Não vou dizer uma fonte pura e simples, porque como qualquer repórter ou editor pode atestar, fontes são raramente puras e simples”.

Ele disse isso em um evento sobre jornalismo promovido pela Fundação Nieman, em Harvard. E afirmou ainda que Julian Assange não é um jornalista: “Pelo menos não do mesmo tipo que eu”.

Acho que a consideração é perfeita e vem no momento exato:  Bill Keller apenas falou alto o que muitos jornais pensam.

A postura dele revela uma coisa simples, que é o fato de que muitos profissionais da mídia tradicional não estão prestando atenção no que está acontecendo com o jornalismo no mundo.

Falo de jornalismo grasroots ou comunitário, sim, falo de jornalismo espontâneo e de blogs, sim, mas falo principalmente de bom jornalismo, relevante e profundo que está surgindo de grupos independentes e também de centros de jornalismo investigativo – e que está retirando o monopólio dos veículos estabelecidos de produzir e propagar infomação, de dizer o que é ou não notícia.

Após taxar o WikiLeaks de “fonte”, o editor diz que “nenhuma fonte” é “pura e simples”. O raciocínio mais lógico é questionar se algum jornal é um jornal “puro e simples”, incluindo o New York Times. E isso não tira o mérito do bom jornalismo que muitos deles fazem.

Mas a coisa é um tanto pior porque o  WikiLeaks obtem informações valiosas – sim, elas valem muito dinheiro. Vendem jornal. Causam escândalo. Então, neste caso, os veículos tradicionais se interessam e têm que negociar.

Por isso me assusta um pouco a defesa de que há um tipo “superior” de jornalista e “outro tipo” – neste quesito caberia o Julian Assange. Cheira a uma defesa desesperada de quem está perdendo seu nicho de mercado.

Não seria mais inteligente olhar as novas fronteiras do jornalismo, reconhecer as iniciativas bem-sucedidas e ficar feliz com o mundo de possibilidades que está se abrindo?

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Conversa Afiada: Justiça Eleitoral limpa ficha de Maluf. No Brasil.


Paulo Maluf é tão paulista quanto o Shopping Iguatemi, a Daslu, Shopping Cidade Jardim, a Tânia Bulhões e o Delegado Fleury.

Paulo Maluf é cara de São Paulo.

Paulo Maluf não pode pisar em nenhum país do mundo, de “A” a “Z”.

De Aruba a Zanzibar.

Pisou, vai em cana- é o que determina um alerta da Interpol.

No Brasil, há uma justiça (com caixa baixa, por favor) que considera Maluf apto a obter imunidade diante da Justiça.

Não se tem notícia de nenhum projeto de Paulo Maluf ou discurso no plenário em defesa dos pobres ou dos ricos em São Paulo.

Tudo indica que o mandato de deputado federal tenha para ele o efeito prático de evitar algum tipo de confronto com a Lei.

Na verdade, na verdade, aqui no Brasil, Paulo Maluf sequer precisa temer a Lei.

O ínclito delegado Protógenes Queiroz prendeu Paulo Maluf, para que um Ministro do Supremo Tribunal Federal soltasse, com pena de vê-lo no cárcere ao lado do filho.

Agora, a Justiça Eleitoral confere a Maluf a imunidade para cuspir no código penal.

Afinal, para que serviu a Justiça eleitoral além de ter uma Procuradora imparcial que perseguiu o Mino Carta e este ordinário blogueiro?

Paulo Maluf será capaz de se encontrar com Protógenes Queiroz nos corredores da Câmara e saudá-lo com um ruidoso “como vai o amigo?”.

Maluf é capaz de tudo.

O Brasil também.


Fonte: Paulo Henrique Amorim

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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Natalia Viana: Comunicado do WikiLeaks

Este comunciado oficial foi publicado na noite de ontem pela organização.

“A divulgação do Cablegate pelo Wikileaks está sendo usada por centenas de canais jornalísticos e grupos de ativistas ao redor do mundo.

Existem agora mais de 1.300 telegramas em domínio público, e outros centenas de milhares estão para ser divulgados.

Como em toda história dessa magnitude, o caso está sendo usado tanto por governos quanto por jornalistas: o governo iraniano condenou a Wikileaks como uma organização de fachada dos Estados Unidos; os governos da China e da Rússia sugeriam que Julian Assange fosse premiado com o Nobel, enquanto Israel recebeu bem as notícias do Oriente Médio que revelam como muitas nações compartilham receios a respeito do regime nuclear do Irã.

Alguns dos jornalistas, governos e ativistas que estão escrevendo sobre o material dos telegramas das embaixadas têm percepções extremas sobre vários assuntos. Essas percepções não são as percepções do Wikileaks.

A Wikileaks é uma organização dedicada à transparência e à prestação de contas, e a permitir que whistleblowers (informantes) possam fazer com que governos e corporações prestem contas sobre o que fazem de errado.

Esse é o único propósito da Wikileaks, que vamos continuar a buscar incansavelmente”.

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Contra o ateísmo militante

Texto enviado por Guilherme Torres ao Blog do Luís Nassif

Nassif,

Sendo ateu eu me envergonho dessa campanha. Ela é tão intolerante, ou quiçá ainda mais, que os fanatismos ou preconceitos religiosos que eles criticam. Essa campanha generaliza todos os crentes sob um mesmo rótulo e ofende várias religiões ao propor (quase explicitamente) que um crente não tem senso crítico, não se faz perguntas.


Essa campanha é de uma pequenez tamanha que eu sinceramente torço pra que nenhuma agência publicitária aceite a proposta. Esse ateísmo militante é tão triste quanto qualquer outro fanatismo. Todo fanatismo é fadado à intolerância, e o ateísmo militante proselitista não escapa disso.

Eu postei um comentário sobre aquela fala do Datena com preconceito contra os ateus aqui:http://blogln.ning.com/profiles/blogs/o-espirito-do-ateismo.

É a sugestão de leitura de um livro, O Espírito do Ateísmo, do filósofo francês André Comte-Sponville, em que ele faz uma defesa sincera, honesta e tolerante do ateísmo, onde seu principal argumento está na conclamação dos sentimentos e morais que nos unem todos (crentes e descrentes), não os que nos separam.

É evidente que os ateus sofrem preconceito, mas eu tenho certeza que é na mesma medida com que temos preconceitos contra os crentes. Por isso eu abomino esse tipo de campanha. Se ela ao menos ficasse apenas na luta contra o preconceito, mas não, os militantes proselitistas resolveram atacar também.

Enfim, acredito haver outras formas de luta contra qualquer preconceito, principalmente sem haver um preconceito recíproco.

Repito, sendo ateu, essa campanha me envergonha.

Saudações crentes e descrentes!

Fonte: Blog Luís Nassif Online

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Blog de luisnassif: WikiLeaks: as conversas de Serra com a Chevron sobre o pré-sal


Folha de S.Paulo - Petroleiras foram contra novas regras para pré-sal - 13/12/2010

Petroleiras foram contra novas regras para pré-sal

Segundo telegrama do WikiLeaks, Serra prometeu alterar regras caso vencesse

Assessor do tucano na campanha confirma que candidato era contrário à mudança do marco regulatório do petróleo

JULIANA ROCHA
DE BRASÍLIA


CATIA SEABRA

DE SÃO PAULO


As petroleiras americanas não queriam a mudança no marco de exploração de petróleo no pré-sal que o governo aprovou no Congresso, e uma delas ouviu do então pré-candidato favorito à Presidência, José Serra (PSDB), a promessa de que a regra seria alterada caso ele vencesse.

É isso que mostra telegrama diplomático dos EUA, de dezembro de 2009, obtido pelo site WikiLeaks (www.wikileaks.ch). A organização teve acesso a milhares de despachos. A Folha e outras seis publicações têm acesso antecipado à divulgação no site do WikiLeaks.

"Deixa esses caras [do PT] fazerem o que eles quiserem. As rodadas de licitações não vão acontecer, e aí nós vamos mostrar a todos que o modelo antigo funcionava... E nós mudaremos de volta", disse Serra a Patricia Pradal, diretora de Desenvolvimento de Negócios e Relações com o Governo da petroleira norte-americana Chevron, segundo relato do telegrama.

Um dos responsáveis pelo programa de governo de Serra, o economista Geraldo Biasoto confirmou que a proposta do PSDB previa a reedição do modelo passado.

"O modelo atual impõe muita responsabilidade e risco à Petrobras", disse Biasoto, responsável pela área de energia do programa. "Havia muito ceticismo quanto à possibilidade de o pré-sal ter exploração razoável com a mudança de marcos regulatórios que foi realizada."

Segundo Biasoto, essa era a opinião de Serra e foi exposta a empresas do setor em diferentes reuniões, sendo uma delas apenas com representantes de petroleiras estrangeiras. Ele diz que Serra não participou dessa reunião, ocorrida em julho deste ano. "Mas é possível que ele tenha participado de outras reuniões com o setor", disse.

SENSO DE URGÊNCIA

O despacho relata a frustração das petrolíferas com a falta de empenho da oposição em tentar derrubar a proposta do governo brasileiro.

O texto diz que Serra se opõe ao projeto, mas não tem "senso de urgência". Questionado sobre o que as petroleiras fariam nesse meio tempo, Serra respondeu, sempre segundo o relato: "Vocês vão e voltam".

A executiva da Chevron relatou a conversa ao representante de economia do consulado dos EUA no Rio.
A mudança que desagradou às petroleiras foi aprovada pelo governo na Câmara no começo deste mês.

Desde 1997, quando acabou o monopólio da Petrobras, a exploração de campos petrolíferos obedeceu a um modelo de concessão.

Nesse caso, a empresa vencedora da licitação ficava dona do petróleo a ser explorado -pagando royalties ao governo por isso.

Com a descoberta dos campos gigantes na camada do pré-sal, o governo mudou a proposta. Eles serão licitados por meio de partilha.

Assim, o vencedor terá de obrigatoriamente partilhar o petróleo encontrado com a União, e a Petrobras ganhou duas vantagens: será a operadora exclusiva dos campos e terá, no mínimo, 30% de participação nos consórcios com as outras empresas.

A Folha teve acesso a seis telegramas do consulado dos EUA no Rio sobre a descoberta da reserva de petróleo, obtidos pelo WikiLeaks.

Datados entre janeiro de 2008 e dezembro de 2009, mostram a preocupação da diplomacia dos EUA com as novas regras. O crescente papel da Petrobras como "operadora-chefe" também é relatado com preocupação.

O consulado também avaliava, em 15 de abril de 2008, que as descobertas de petróleo e o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) poderiam "turbinar" a candidatura de Dilma Rousseff, então ministra da Casa Civil.

O consulado cita que o Brasil se tornará um "player" importante no mercado de energia internacional.
Em outro telegrama, de 27 de agosto de 2009, a executiva da Chevron comenta que uma nova estatal deve ser criada para gerir a nova reserva porque "o PMDB precisa de uma companhia".

Texto de 30 de junho de 2008 diz que a reativação da Quarta Frota da Marinha dos EUA causou reação nacionalista. A frota é destinada a agir no Atlântico Sul, área de influência brasileira.

Fonte: Blog Luís Nassif Online

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domingo, 12 de dezembro de 2010

WikiLeaks: Press Release - Cablegate: Telegramas das embaixadas

WIKILEAKS PUBLICA TELEGRAMAS CONFIDENCIAIS DAS EMBAIXADAS AMERICANAS

A partir do dia 28 de novembro de 2010, o WikiLeaks começou a publicar 251.287 telegramas de embaixadas americanas pelo mundo - o maior vazamento de documentos confidenciais da história.

Para a organização, os documentos vão permitir que pessoas de todo o mundo conheçam a fundo como funcionam as atividades americanas no exterior.

Os telegramas, que cobrem desde 1966 até o final de fevereiro de 2010, contêm informações confidenciais enviadas por 274 embaixadas em diversos países e pelo Departamento de Estado em Washington para essas embaixadas.

Do total, 15.652 são classificados como secretos.

"Os telegramas mostram os EUA espionando seus aliados e a ONU; ignorando a corrupção e abusos de direitos humanos em Estados ‘serviçais’; negociando a portas fechadas com Estados supostamente neutros e fazendo lobby em prol das corporações americanas”, diz o porta-voz da organização, Julian Assange.

No caso brasileiro, o WikiLeaks obteve 1.947 documentos enviados pela embaixada em Brasília entre 1989 e 2010. Desses, 54 são classificados como secretos e 409 como confidenciais.

O ano de 2009 foi o recordista em telegramas: foram 348, quase um por dia. Em 2010, foram 59 comunicados de janeiro a fevereiro apenas.

Além deles há 12 do consulado de Recife, 119 do Rio de Janeiro e 778 de São Paulo.

Eles revelam como os diplomatas americanos realmente vêem o Brasil à medida que o país busca reconhecimento internacional – nem sempre com bons olhos – e como a embaixada faz lobby pelos interesses dos EUA, desde petróleo até a venda de equipamentos militares.

Também relatam encontros com autoridades, membros do governo e da oposição, jornalistas e diplomatas de outros países. Revelam como os diplomatas americanos narraram alguns dos acontecimentos políticos e econômicos mais importantes dos últimos sete anos. E como os EUA continuam buscando influenciar a política nacional, mesmo na era Obama, fazendo lobby contra governos vizinhos.

Entre outras coisas, os documentos mostram que os EUA trabalham proximamente com o Brasil em operações de contraterrorismo e que vêem buscando um papel maior em termos de segurança e combate às drogas.

"A publicação desses documentos revela a contradição entre a persona pública dos EUA e o que a potência faz por debaixo dos panos. E também porvam que, se os cidadãos querem que seus governos hajam de acordo com as suas aspirações, devem exigir explicações sobre o que acontece às escondidas".

"Toda criança americana aprende que George Washington, o primeiro presidente dos EUA, não conseguia mentir. Se as administrações atuais seguissem o mesmo princípio, o vazamento de hoje seria apenas um pequeno vexame" diz Julian Assange. "Em vez disso, os EUA têm alertado governos ao redor do mundo - até mesmo os mais corruptos - sobre a publicação de hoje e se armando para a exposição que fatalmente irão enfrentar."

Diferentemente dos outros lançamentos do WikiLeaks, nas quais uma grande quantidade de documentos foi publicada de uma vez, a organização vai lançar os arquivos das embaixadas ao longo das próximas semanas.
"Os telegramas da embaixada vão ser lançados em etapas. Consideramos que o tema é tão importante e o alcance geográfico tão amplo que se publicássemos tudo de uma vez não estaríamos fazendo justiça a esse material”.

"Devemos a quem nos confiou material garantir o tempo necessário para que ele seja noticiado, comentado e discutido amplamente - o que seria impossível se centenas de milhares de documentos fossem publicados de uma só vez".

"Enquanto os documentos mostram cinismo e abuso diplomáticos chocantes, o fato desse material ter vazado prova que existem pessoas boas e corajosas dentro do governo que acreditam em transparência e em uma política exterior mais ética”, afirma Julian. “Essas pessoas estão buscando reformar as instituições para as quais trabalham. O lançamento de hoje mostra que elas também têm poder. Mas é a resposta o mundo a esses documentos que vai determinar se a sua publicação levará a uma mudança".

“Assim, nas próximas semanas vamos poder julgar o clima político em dezenas de países através da maneira como eles respondem. Será que vão se empenhar numa campanha para desviar as atenções ou será que vão fazer uma campanha para mudar a maneira como as coisas são feitas?”

Os telegramas, em números:

No total, são 251.288 documentos, ou 261.276.536 de palavras (sete vezes mais do que nos arquivos secretos sobre o Iraque).

Uma pessoa lendo com atenção levaria 70 anos para ler todos os arquivos.

Os telegramas são de 1966 até o final de fevereiro de 2010 e são provenientes de 274 embaixadas, representações e consulados.

Os principais assuntos são:

Relações internacionais – 145.451 Assuntos internos dos governos – 122.896 Direitos humanos – 55.211 Condições econômicas – 49.044 Terroristas e terrorismo – 28.801 O Conselho de Segurança da ONU – 6.532
O Iraque é o país mais discutido – 15.365 telegramas (desses, 6.677 foram enviados do Iraque)
A embaixada de Ancara, na Turquia, foi a que mais enviou telegramas – 7.918
8.017 telegramas foram enviados pelo Departamento de Estado.
15.652 telegramas são secretos, 101.748 são confidenciais e 133,887 não são classificados.
Telegramas enviados pela embaixada dos EUA em Brasília -
Total: 1.947 54 secretos 409 confidenciais.
Por ano: 1989 - 1 2002 - 1 2003 - 45 2004 - 196 2005 - 306 2006 - 391 2007 - 321 2008 - 279 2009 - 348 2010 - 59
Consulado em Recife - 12 Consulado no Rio de Janeiro - 119 Consulado de São Paulo - 777
Total do Brasil: 2855
Contato (somente para veículos com público superior a 500 mil)
sunshinepress@this.is

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sábado, 11 de dezembro de 2010

WikiLeaks: Vaticano impediu participação em investigação sobre abusos sexuais

O Vaticano impediu autoridades de testemunhar diante uma comissão na Irlanda que investigava abusos sexuais de crianças cometidos por padres e se irritou quando eles foram convocados por Roma, revelam mensagens vazadas pelo site WikiLeaks e publicadas pelo jornal "Guardian". Pedidos de informação sobre casos de pedofilia feitos pela chamada comissão Murphy em 2009 "ofenderam muitos" na cúpula da Igreja Católica, diz uma dos documentos.

Segundo um telegrama dos Estados Unidos, a Santa Sé entendeu que o governo irlandês "falhou em respeitar e proteger a soberania do Vaticano durante as investigações". Apesar da falta de cooperação da Igreja Católica, a comissão conseguiu concluir que bispos tentaram encobrir casos de pedofilia. O grupo também identificou 320 pessoas que denunciaram abusos por parte de religiosos entre 1975 e 2004 na Arquidiocese de Dublin.

EUA consideram Vaticano Estado fechado, provinciano e antiquado

Acompanhe a publicação de documentos no blog O Melhor do WikiLeaks

Um telegrama entitulado "Escândalo de abuso sexual estreme relações Vaticano-Irlanda, sacode Igreja irlandesa, e apresenta desafios para a Santa Sé" afirma que autoridades do Vaticano também acreditam que políticos da oposução estavam explorando a situação por meio de pressões para que o governo cobrasse respostas da Igreja.

O secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone, escreveu para a embaixada irlandesa dizendo que qualquer pedido relacionado à investigação deveria ser feito pelos canais diplomáticos.

Na mensagem publicada pelo "Guardian", o embaixador irlandês na Santa Sé, Noel Fahey, diz à diplomata americana Julieta Valls Noyes que os escândalos de pedofilia na Igreja eram a crise mais difícil que já havia enfrentado. O governo queria cooperar, mas políticos estavam relutantes, segundo ele.

O Papa Bento XVI publicou em março deste ano uma carta pedindo desculpas às vítimas.

Fonte: O Globo

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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Internacional: Por dentro do Wikileaks


"A democracia passa pela transparência radical": Natália Viana, jornalista brasileira convidada para trabalhar com os comunicados secretos entre embaixadas americanas, escreve sobre a experiência; site foi derrubado do ar após vários ataques

Por Natália Viana*

Fui convidada por Julian Assange e sua equipe para trazer ao público brasileiro os documentos que interessam ao nosso país. Para esse fim, o Wikileaks decidiu elaborar conteúdo próprio também em português, com matérias fresquinhas sobre os documentos da embaixada e consulados norte-americanos no Brasil.

Por trás dessa nova experiência está a vontade de democratizar ainda mais o acesso à informação. O Wikileaks quer ter um canal direto de comunicação com os internautas brasileiros, um dos maiores grupos do mundo, e com os ativistas no Brasil que lutam pela liberdade de imprensa e de informação. Nada mais apropriado para um ano em que a liberdade de informação dominou boa parte da pauta da campanha eleitoral.

Buscando jornalistas independentes, Assange busca furar o cerco de imprensa internacional e da maneira como ela acabada dominando a interpretação que o público vai dar aos documentos. Por isso, além dos cinco grandes jornais estrangeiros, somou-se ao projeto um grupo de jornalistas independentes. Numa próxima etapa, o Wikileaks vai começar a distribuir os documentos para veículos de imprensa e mídia nas mais diversas partes do mundo.

Assange e seu grupo perceberam que a maneira concentrada como as notícias são geradas – no nosso caso, a maior parte das vezes, apenas traduzindo o que as grandes agências escrevem – leva um determinado ângulo a ser reproduzido ao infinito. Não é assim que esses documentos merecem ser tratados: “São a coisa mais importante que eu já vi”, disse ele.

Não foi fácil. O Wikileaks já é conhecido por misturar técnicas de hackers para manter o anonimato das fontes, preservar a segurança das informações e se defender dos inevitáveis ataques virtuais de agências de segurança do mundo todo.

Assange e sua equipe precisam usar mensagens criptografadas e fazer ligações redirecionados para diferentes países que evitam o rastreamento. Os documentos são tão preciosos que qualquer um que tem acesso a eles tem de passar por um rígido controle de segurança. Além disso, Assange está sendo investigado por dois governos e tem um mandado de segurança internacional contra si por crimes sexuais na Suécia. Isso significou que Assange e sua equipe precisam ficar isolados enquanto lidam com o material. Uma verdadeira operação secreta.


Documentos sobre Brasil

No caso brasileiro, os documentos são riquíssimos. São 2.855 no total, sendo 1.947 da embaixada em Brasília, 12 do Consulado em Recife, 119 no Rio de Janeiro e 777 em São Paulo.
Nas próximas semanas, eles vão mostrar ao público brasileiro histórias pouco conhecidas de negociações do governo por debaixo do pano, informantes que costumam visitar a embaixada norte-americana, propostas de acordo contra vizinhos, o trabalho de lobby na venda dos caças para a Força Aérea Brasileira e de empresas de segurança e petróleo.


O Wikileaks vai publicar muitas dessas histórias a partir do seu próprio julgamento editorial. Também vai se aliar a veículos nacionais para conseguir seu objetivo – espalhar ao máximo essa informação. Assim, o público brasileiro vai ter uma oportunidade única: vai poder ver ao mesmo tempo como a mesma história exclusiva é relatada por um grande jornal e pelo Wikileaks. Além disso, todos os dias os documentos serão liberados no site do Wikileaks. Isso significa que todos os outros veículos e os próprios internautas, bloggers, jornalistas independentes vão poder fazer suas próprias reportagens. Democracia radical – também no jornalismo.

Impressões

A reação desesperada da Casa Branca ao vazamento mostra que os Estados Unidos erraram na sua política mundial – e sabem disso. Hillary Clinton ligou pessoalmente para diversos governos, inclusive o chinês, para pedir desculpas antecipadamente pelo que viria. Para muitos, não explicou direto do que se tratava, para outros narrou as histórias mais cabeludas que podiam constar nos 251 mil telegramas de embaixadas.
Ainda assim, não conseguiu frear o impacto do vazamento. O conteúdo dos telegramas é tão importante que nem o gerenciamento de crise de Washington nem a condenação do lançamento por regimes em todo o mundo – da Austrália ao Irã – vai conseguir reduzir o choque.

Como disse um internauta, Wikileaks é o que acontece quando a superpotência mundial é obrigada a passar por uma revista completa dessas de aeroporto. O que mais surpreende é que se trata de material de rotina, corriqueiro, do leva-e-traz da diplomacia dos EUA. Como diz Assange, eles mostram “como o mundo funciona”.

O Wikileaks tem causado tanto furor porque defende uma ideia simples: toda informação relevante deve ser distribuída. Talvez por isso os governos e poderes atuais não saibam direito como lidar com ele. Assange já foi taxado de espião, terrorista, criminoso. Outro dia, foi chamado até de pedófilo.

Wikileaks e o grupo e colaboradores que se reuniu para essa empreitada acreditam que injustiça em qualquer lugar é injustiça em todo lugar. E que, com a ajuda da internet, é possível levar a democracia a um patamar nunca imaginado, em que todo e qualquer poder tem de estar preparado para prestar contas sobre seus atos.
O que Assange traz de novo é a defesa radical da transparência. O raciocínio do grupo de jornalistas investigativos que se reúne em torno do projeto é que, se algum governo ou poder fez algo de que deveria se envergonhar, então o público deve saber. Não cabe aos governos, às assessorias de imprensa ou aos jornalistas esconder essa ou aquela informação por considerar que ela “pode gerar insegurança” ou “atrapalhar o andamento das coisas”. A imprensa simplesmente não tem esse direito.

É por isso que, enquanto o Wikileaks é chamado de “irresponsável”, “ativista”, “antiamericano” e Assange é perseguido, os cinco principais jornais do mundo que se associaram ao lançamento do Cablegate continuam sendo vistos como exemplos de bom jornalismo – objetivo, equilibrado, responsável e imparcial. Uma ironia e tanto.

*Natália Viana é jornalista e colaboradora do Opera Mundi

Fonte: Carta Capital

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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Comunique-se: Brasil Econômico defende Ongoing e diz que Folha e O Globo temem concorrência

Em editorial publicado nesta quinta-feira (2/12), o diretor de Redação do jornal Brasil Econômico, Ricardo Galuppo, defendeu o Grupo Ongoing e a Eseja, responsável por sua publicação e a dos jornais O Dia, Meia Hora e Marca. Na edição de ontem (01/12), a Folha de S.Paulo noticiou a investigação do Ministério Público Federal contra a Ongoing. A matéria também dizia que o grupo teria chegado ao Brasil com o apoio de petistas e que a empresa portuguesa havia comprado 49% do jornal Alô Brasília.

Galuppo enfatizou que a queixa que deu origem à investigação partiu da Associação Nacional de Jornais (ANJ), cuja presidente, Judith Brito, trabalha na Folha. Ele também afirmou que a empresa teme concorrência do grupo português Ongoing.

“Talvez para não deixar nas mãos das Organizações Globo (empresa a cujos interesses a ANJ está subordinada) o papel exclusivo de tentar impedir que um novo concorrente se consolide no mercado, a Folha de S. Paulo publicou ontem uma extensa reportagem sobre o grupo português Ongoing (dono de 30% da Ejesa) e seus negócios no Brasil”.

O jornalista também afirmou que a Folha e a Globo temem que seu jornal de finanças, o Valor Econômico, perca espaço para o do Grupo Ongoing, e criticou fortemente o jornal.

”São tantas mentiras, tantas tolices e tantas baboseiras distribuídas por uma página e meia do jornal que seria enfadonho responder a cada uma delas. A mais gritante diz respeito à suposta compra, no Distrito Federal, de um jornal chamado Alô Brasília”.

Galuppo ironizou e voltou a criticar a Folha. “O ataque da Folha de S. Paulo não causa espanto. Esperar que aquele diário pratique jornalismo sério é o mesmo que imaginar a hipótese de a torcida do Palmeiras vibrar com uma eventual conquista do título brasileiro pelo Corinthians. Não há possibilidade de isso acontecer”.

Para finalizar, o diretor de Redação ainda citou supostos casos da ditadura e acusou o jornal de ter sido conivente com o regime.

O Grupo Ongoing é alvo de uma investigação a pedido da ANJ. Segundo a entidade, a empresa usaria artifícios para burlar a Constituição, que limita a 30% a participação de capital estrangeiro nas empresas de comunicação brasileiras.

Fonte: Portal Comunique-se

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terça-feira, 30 de novembro de 2010

Os donos da mídia estão nervosos

A Veja andou atrás do blogueiro Renato Rovai querendo saber como foi feita a articulação para que o presidente Lula concedesse uma entrevista a blogs de diferentes pontos do Brasil. Estão preocupadíssimos.
O blogueiro Renato Rovai contou durante o curso anual do Núcleo Piratininga de Comunicação, realizado semana passada no Rio, que a Veja andou atrás dele querendo saber como foi feita a articulação para que o presidente Lula concedesse uma entrevista a blogs de diferentes pontos do Brasil. Estão preocupadíssimos.

À essa informação somam-se as matérias dos jornalões e de algumas emissoras de TV sobre a coletiva, sempre distorcidas, tentando ridicularizar entrevistado e entrevistadores.

O SBT chegou a realizar uma edição cuidadosa daquele encontro destacando as questões menos relevantes da conversa para culminar com um encerramento digno de se tornar exemplo de mau jornalismo.

Ao ressaltar o problema da inexistência de leis no Brasil que garantam o direito de resposta, tratado na entrevista, o jornal do SBT fechou a matéria dizendo que qualquer um que se sinta prejudicado pela mídia tem amplos caminhos legais para contestação (em outras palavras). Com o que nem o ministro Ayres Brito, do Supremo, ídolo da grande mídia, concorda.

Jornalões e televisões ficaram nervosos ao perceberem que eles não são mais o único canal existente de contato entre os governantes e a sociedade.

Às conquistas do governo Lula soma-se mais essa, importante e pouco percebida. E é ela que permite entender melhor o apoio inédito dado ao atual governo e, também, a vitória da candidata Dilma Roussef.

Lula, como presidente da República, teve a percepção nítida de que se fosse contar apenas com a mídia tradicional para se dirigir à sociedade estaria perdido. A experiência de muitos anos de contato com esses meios, como líder sindical e depois político, deu a ele a possibilidade de entendê-los com muita clareza.

Essa percepção é que explica o contato pessoal, quase diário, do presidente com públicos das mais diferentes camadas sociais, dispensando intermediários.

Colunistas o criticavam dizendo que ele deveria viajar menos e dar mais expediente no palácio. Mas ele sabia muito bem o que estava fazendo. Se não fizesse dessa forma corria o risco de não chegar ao fim do mandato.

Mas uma coisa era o presidente ter consciência de sua alta capacidade de comunicador e outra, quase heróica, era não ter preguiça de colocá-la em prática a toda hora em qualquer canto do pais e mesmo do mundo.

Confesso que me preocupei com sua saúde em alguns momentos do mandato. Especialmente naquela semana em que ele saía do sul do país, participava de evento no Recife e de lá rumava para a Suíça. Não me surpreendi quando a pressão arterial subiu, afinal não era para menos. Mas foi essa disposição para o trabalho que virou o jogo.

Um trabalho que poderia ter sido mais ameno se houvesse uma mídia menos partidarizada e mais diversificada. Sem ela o presidente foi para o sacrifício.

Pesquisadores nas áreas de história e comunicação já tem um excelente campo de estudos daqui para frente. Comparar, por exemplo, a cobertura jornalística do governo Lula com suas realizações. O descompasso será enorme.

As inúmeras conquistas alcançadas ficariam escondidas se o presidente não fosse às ruas, às praças, às conferências setoriais de nível nacional, aos congressos e reuniões de trabalhadores para contar de viva voz e cara-a-cara o que o seu governo vinha fazendo. A NBR, televisão do governo federal, tem tudo gravado. É um excelente acervo para futuras pesquisas.

Curioso lembrar as várias teses publicadas sobre a sociedade mediatizada, onde se tenta demonstrar como os meios de comunicação estabelecem os limites do espaço público e fazem a intermediação entre governos e sociedade.

Pois não é que o governo Lula rompeu até mesmo com essas teorias. Passou por cima dos meios, transmitiu diretamente suas mensagens e deixou nervosos os empresários da comunicação e os seus fiéis funcionários, abalados com a perda do monopólio da transmissão de mensagens.

Está dada, ao final deste governo, mais uma lição. Governos populares não podem ficar sujeitos ao filtro ideológico da mídia para se relacionarem com a sociedade.

Mas também não pode depender apenas de comunicadores excepcionais como é caso do presidente Lula. Se outros surgirem ótimo. Mas uma sociedade democrática não pode ficar contando com o acaso.

Daí a importância dos blogueiros, dos jornais regionais, das emissoras comunitárias e de uma futura legislação da mídia que garanta espaços para vozes divergentes do pensamento único atual.

Laurindo Lalo Leal Filho, sociólogo e jornalista, é professor de Jornalismo da ECA-USP. É autor, entre outros, de “A TV sob controle – A resposta da sociedade ao poder da televisão” (Summus Editorial).

Fonte: Agência Carta Maior

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sábado, 27 de novembro de 2010

Eduardo Guimarães: A cor da tragédia no Rio

Por Eduardo Guimarães

Sábado, fim da manhã, dou uma escapada do escritório. Fui trabalhar em um dia em que costumo dedicar ao descanso porque precisava “preparar” a viagem de negócios que começo a fazer no dia seguinte.

Preciso almoçar. Café e cigarros, ininterruptamente – consumo um e outro sem perceber, quando trabalho ou escrevo –, fizeram-me cair a pressão.

O bar serve uma das feijoadas mais honestas da região da Vila Mariana. De carro, chego lá em 5 minutos.  Gasto mais cinco esperando pela comida e mais dez para comer. Antes da uma estarei de volta.

Meu escritório está na região há quase 15 anos. Vários conhecidos freqüentam o estabelecimento em que matarei a fome. Ao chegar lá, cumprimentam-me e me convidam a sentar à mesa repleta de garrafas de cerveja vazias.

Hesito. São pessoas que têm por costume fazer comentários que me desagradam. A educação, porém, fala mais alto e aceito. Encaro a turma que têm os olhos injetados pelo álcool.

Alguns dos homens, estando todos na mesma faixa etária que eu, mencionam a entrevista com Lula e começam a fazer piadinhas próprias da mentalidade política e ideológica que infesta a parte de São Paulo em que vivo.

Permaneço impassível e calado. Percebem que não estou achando graça. Um deles, menos grosseiro, resolve mudar de assunto:

– E o Rio, hein! Que tragédia!

Percebo que é outro tema que não vai prestar e me abstenho de comentários. Dedico-me à excelente batidinha de limão que servem ali.

Um outro decide escancarar a bocona: “Sabe qual é o problema do Rio?”. Percebendo que vem pedrada, mas já começando a me irritar, pergunto qual seria o “problema do Rio”.

– Pretos, cara. Notou que são todos pretos?

– Todos, quem, cara-pálida?

– Todos. Bandidos, moradores da região. Tudo preto. Esse é o problema do Rio.

Reflito, antes de responder. Ao menos em uma coisa esse demente tem razão: a tragédia carioca tem cor.

Realmente, bandidos e população atingida por eles são negros em expressiva maioria. Então respondo:

– Mas a culpa não é deles, é sua. São racistas como você que fizeram com que mesmo depois de mais de um século do fim da escravidão os negros continuassem mergulhados nessa tragédia…

– Mas…

– Aqueles traficantes quase todos negros, um dia foram crianças que se inebriaram pelo poder que os bandidos exercem sobre essas comunidades.

A mesa com seis homens de meia idade fica em silêncio, perplexa com o que acabara de ouvir. Levanto-me, vou até o caixa, pago pela comida que não comi, subo no carro, sem me despedir de ninguém, e vou embora sem almoçar.

Já não havia mais fome.

Levo comigo, porém, uma certeza: a tragédia no Rio tem cor. Existe por conta dessa cor.
Aquelas populações, pela cor da pele, foram mantidas em guetos miseráveis, longe das preocupações dos setores exíguos e preconceituosos da sociedade que fingem que a culpa é dos governantes.

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quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Reflexões do Jornalista Roberto Rabat Chame

Ah, e o neguinho da Beija-Flor será Afro descendente zinho da Beija-Flor.
É incrível como o humor dá leveza e graça a um assunto que é bastante sério...

Tivemos essa semana o ridículo episódio do banimento de Livros de Monteiro Lobato, das Escolas públicas, pelos agora também racistas 12 Conselheiros do MEC, sob o argumento de que "a boneca Emília trata com racismo a Tia Nastácia"...!

De todos os homens públicos de nossa história, talvez, Monteiro Lobato, tenha sido o que mais sofreu de "Xenofobia preconceituosa" por parte dos vários Sistemas de Poder instituídos! Acusado de ateu, de comunista, de rebelde cívico e de tantos outros "desvios" em relação ao "politicamente correto", agora, em pleno seculo XXI, esse Sistema podre o enquadra como "Racista"!....

A reação das Sociedade brasileira contra mais esse ato de insensatez foi tão grande que, parece, o MEC está voltando atrás em sua insana decisão!

POLITICAMENTE CORRETO É O ESCAMBAU!

 O CRAVO NÃO BRIGOU COM A ROSA!

Chegamos ao limite da insanidade da onda do politicamente correto. Soube dia desses que as crianças, nas creches e escolas, não cantam mais O cravo brigou com a rosa. A explicação da professora do filho de um camarada foi comovente: a briga entre o cravo – o homem – e a rosa – a mulher – estimula a violência entre os casais. Na nova letra “o cravo encontrou a rosa/ debaixo de uma sacada/o cravo ficou feliz /e a rosa ficou encantada”.

Que diabos é isso? O próximo passo é enquadrar o cravo na Lei Maria da Penha. Será que esses doidos sabem que O cravo brigou com a rosa faz parte de uma suíte de 16 peças que Villa Lobos criou a partir de temas recolhidos no folclore brasileiro?

É Villa Lobos, cacete!

Outra música infantil que mudou de letra foi Samba Lelê. Na versão da minha infância o negócio era o seguinte: Samba Lelê tá doente/ Tá com a cabeça quebrada/ Samba Lelê precisava/ É de umas boas palmadas. A palmada na bunda está proibida. Incita a violência contra a menina Lelê. A tia do maternal agora ensina assim: Samba Lelê tá doente/ Com uma febre malvada/ Assim que a febre passar/ A Lelê vai estudar.

Se eu fosse a Lelê, com uma versão dessas, torcia pra febre não passar nunca. Os amigos sabem de quem é Samba Lelê? Villa Lobos de novo. Podiam até registrar a parceria. Ficaria assim: Samba Lelê, de Heitor Villa Lobos e Tia Nilda do Jardim Escola Criança Feliz.

Comunico também que não se pode mais atirar o pau no gato, já que a música desperta nas crianças o desejo de maltratar os bichinhos. Quem entra na roda dança, nos dias atuais, não pode mais ter sete namorados para se casar com um. Sete namorados é coisa de menina fácil. Ninguém mais é pobre ou rico de marré-de-si, para não despertar na garotada o sentido da desigualdade social entre os homens.

Dia desses alguém [não me lembro exatamente quem se saiu com essa e não procurei a referência no meu babalorixá virtual, Pai Google da Aruanda foi espinafrado porque disse que ecologia era, nos anos setenta, coisa de viado.

Qual é o problema da frase? Ecologia, de fato, era vista como coisa de viado. Eu imagino se meu avô? Com a alma de cangaceiro que possuía, soubesse, em mil novecentos e setenta e poucos, que algum filho estava militando na causa da preservação do mico leão dourado, em defesa das bromélias ou coisa que o valha. Bicha louca, diria o velho.

Vivemos tempos de não me toques que eu magoo. Quer dizer que ninguém mais pode usar a expressão coisa de viado ? Que me desculpem os paladinos da cartilha da correção, mas isso é uma tremenda babaquice. O politicamente correto é a sepultura do bom humor, da criatividade, da boa sacanagem. A expressão coisa de viado não é, nem a pau (sem duplo sentido), ofensa a bicha alguma.

Daqui a pouco só chamaremos o anão – o popular pintor de roda-pé ou leão de chácara de baile infantil – de deficiente vertical . O crioulo – vulgo picolé de asfalto ou bola sete (depende do peso) – só pode ser chamado de afrodescendente. O branquelo – o famoso branco azedo ou Omo total – é um cidadão caucasiano desprovido de pigmentação mais evidente. A mulher feia – aquela que nasceu pelo avesso, a soldado do quinto batalhão de artilharia pesada, também conhecida como o rascunho do mapa do inferno – é apenas a dona de um padrão divergente dos preceitos estéticos da contemporaneidade. O gordo – outrora conhecido como rolha de poço, chupeta do Vesúvio, Orca, baleia assassina e bujão – é o cidadão que está fora do peso ideal. O magricela não pode ser chamado de morto de fome, pau de virar tripa e Olívia Palito. O careca não é mais o aeroporto de mosquito, tobogã de piolho e pouca telha.

Nas aulas sobre o barroco mineiro, não poderei mais citar o Aleijadinho.

Direi o seguinte: o escultor Antônio Francisco Lisboa tinha necessidades especiais? Não dá. O politicamente correto também gera a morte do apelido, essa tradição fabulosa do Brasil.

O recente Estatuto do Torcedor quer, com os olhos gordos na Copa e 2014, disciplinar as manifestações das torcidas de futebol. Ao invés de mandar o juiz pra puta que o pariu e o centroa vante pereba tomar no olho naquele lugar, cantaremos nas arquibancadas o allegro da Nona Sinfonia de Beethoven, entremeado pelo coro de Jesus, alegria dos homens, do velho Bach.

Falei em velho Bach e me lembrei de outra. A velhice não existe mais. O sujeito cheio de pelancas, doente, acabado, o famoso pé na cova, aquele que dobrou o Cabo da Boa Esperança, o cliente do seguro funeral, o popular tá mais pra lá do que pra cá, já tem motivos para sorrir na beira da sepultura.

A velhice agora é simplesmente a “melhor idade”.

Se Deus quiser morreremos, todos, gozando da mais perfeita saúde. Defuntos? Não. Seremos os inquilinos do condomínio Cidade.

Colaboração de Nélio Azevedo

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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Abdelmassih passa mão na bunda de juiza após sentença “para arredondar logo pra 300 anos”

O médico e monstro Roger Abdelmassih foi condenado a 278 anos de prisão por estupro. Ao ter a sentença decretada, o médico ironizou dando um tapa na bunda da Juíza: “arredonda pra 300 e fecha a conta”.


O cartunista Laerte, prometeu doar algumas peças de roupa para o médico, já que ele vai virar a mulherzinha da cadeia. O promotor comentou a vitória: “o único nascimento que Abdelmassih vai assistir agora é o do sol nascendo quadrado”

Marcelo Z. (colaborou Leonardo Lanna)

Fonte: Sensacionalista - Um Jornal isento de verdade 

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terça-feira, 23 de novembro de 2010

Os “Porquês” do Robson

Por Nélio Azevedo

Na cerimônia de posse do novo presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o mineiro Robson de Andrade fez um discurso repleto de “porquês”, sendo que alguns não tinham razão de ser, outros, sim; são porquês que estão aí há muito tempo e, nenhum governante conseguiu ou não quis respondê-los.

O jornalista Teodomiro Braga, do Jornal O Tempo, achou que o Presidente Lula, presente à cerimônia, deveria tê-lo respondido, eu acho que uma resposta ao querelante seria o suficiente: - por que eu deveria respondê-las, se nenhum outro presidente desde 1889 nunca foi sequer perguntado sobre estes incômodos porquês?

Estranhamente, ele, o Presidente empossado, Sr. Robson de Andrade, homem de competência inquestionável, já que foi indicado e escolhido por unanimidade, quebrando um ciclo de mais de 15 anos de hegemonia nordestina, pertence e representa uma classe que nos deu alguns presidentes, muitos governadores, dezenas de ministros e seus pares, os grandes, pequenos e médios empresários desse país, são os maiores financiadores de campanhas políticas há décadas. Será por que eles que estiveram sempre ao lado de todos os mandatários eleitos e aclamados na nossa República nunca tiveram nenhuma iniciativa em apresentar projetos que proporcionassem as mudanças pedidas por ele? Por que será que nenhum partido da oposição ou situação nunca apresentou um projeto de reforma tributária?

Todas essas questões apresentadas pelo Sr. Robson já estão aí há tempos, nunca um governante desse país se propôs a fazer mudanças que contrariassem os donos do capital.Querer agora que justamente o Presidente em fim de mandato dê uma canetada e mude toda nossa realidade social-política-econômica da noite para o dia.

Muito se fala em mudanças na política tributária e, lembro-me como se fosse hoje de uma fala do ex-Presidente FHC, diante dos problemas da falta de recursos provocada pela privatização, de que era preciso aumentar a base de arrecadação, quando o que deveria ser feito era impedir a sonegação, já que ele admitia publicamente que se houvesse uma justiça quanto ao pagamento dos tributos, os contribuintes poderiam pagar a metade do que pagavam, tamanha era a sonegação (algo em torno de 50%).

Nessa época, eu recebi uma revista da Federação Paulista da Indústria que lamentava a fuga de 73 empresas do ABCD paulista para outras regiões do país, atrás de benesses governamentais ou de alívio da carga tributária nessa guerra fiscal empreendida pelos estados em busca de compensações pelo que impunha a lei.
Deveriam perguntar aos governantes passados porque o BNDES fechou suas portas aos empresários brasileiros e as escancarou para os grandes grupos estrangeiros durante o processo de privatização.

Da mesma forma que os produtores agrícolas sempre lamberam as botas dos governos que os pisava por falta de uma política agrícola ou de um planejamento de produção, transporte, preço e abastecimento e, principalmente por uma falta de justiça no acesso à terra, os empresários brasileiros reclamam dos governantes e os sustenta desde que o Brasil era uma colônia.  A maioria dos empresários brasileiros morria de medo do Lula chegar à presidência, diziam que se mudariam com empresa e tudo até para o Paraguay, numa clara declaração de que o Brasil só é bom para eles ganharem dinheiro, obterem lucro e vantagens. Veio o Lula e o país se tornou a quinta maior potência econômica do mundo, mas, os empresários continuam insatisfeitos e o tal congresso nacional não fala em reforma política ou tibutária.

O que será, que será?  

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domingo, 21 de novembro de 2010

Nassif: O porta-voz do ateísmo

Por Marco St.
Patrick Condell, escritor e comediante britânico se tornou um fenômeno na internet ao lançar vídeos com monólogos atacando as religiões (todas elas). Esses vídeos já ultrapassaram a mais de 50 milhões de exibições e ele meio que virou um "porta-voz do ateísmo." Toda a série pode ser encontrada no Youtube e já legendada. Por ser um tema explosivamente polêmico creio que seria interessante as pessoas daqui do blog comentarem. Enfim, como costuma dizer o próprio Condell, "Que Deus abençõe o ateísmo".







Fonte: Blog Luís Nassif Online

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A Folha deu um tiro no pé

*José Flávio Abelha

A grande novidade que O Globo exibiu hoje não pode ser considerada um "furo jornalístico", no jargão midiático. Quando muito, o carro-chefe dos Marinhos fez um buraco, e que estrago, na débil credibilidade de uns tantos periódicos e hebdomadários e, indo mais longe, na banda podre da mídia brasileira.

Quando a Folha insistiu em abrir o que ela pensava ser a caixa-preta da candidata Dilma e o STM negou, um pensamento me perseguiu até hoje, dia 19 de novembro de 2010: a insistência da Folha é um TIRO NO PÉ.
Elementar, meu caro Watson, preste a atenção na linguagem silenciosa dos detalhes!

Inês Etiene Romeu, irmã da minha saudosa amiga Beth, foi declarada desaparecida mas estava enterrada viva em um sítio nas cercanias de Petrópolis, onde ficou mais de 1 ano, tirante o antes, nas mãos carinhosas do famigerado delegado Fleury. Washington Alves, sua filha Jessy Jane e demais familiares foram presos, torturados, trocados por embaixadores e asilados na Suécia. Walkyria Afonso Costa, desapareceu nas margens do Rio Araguaia, até hoje insepulta. Em um edifício do Conjunto Santos Dumont, em Belo Horizonte, morava um senhor paraplégico, preso a uma cadeira de rodas e sem fala, tal qual foi entregue à família depois de meses de tortura. Era bancário, jovem, atuante no seu sindicato e participante dos movimentos de protestos contra a ditadura implantada no dia 1º de abril de 1964. E muitas outras vítimas do torturador Daniel Antonio Mitrioni e americanizado Dan Anthony Mitrioni ou Dan Mitrioni, que a CIA mandou para o o Brasil e Uruguai como "assessor agrícola" cuja função era ensinar a interrogar presos políticos, tão importante para os militares que mereceu nome de rua em Belo Horizonte, quando os Tupamaros o fuzilaram no dia 10 de agosto de 1970 no Uruguai, grupo esse chefiado pelo guerrilheiro José "Pepe" Mujica, hoje Presidente da República.

Por essa gota de informação, pode-se ver que uma assassina, assaltante e mais adjetivos que recebeu a candidata Dilma durante a recente campanha eleitoral, depois de torturada, não ficaria menos de três anos na prisão. Com o negro quadro biográfico que a oposição apresentou, a candidata seria hoje, tão somente, uma lembrança amarga para a família Rousseff, um nome numa lápide, se cadáver houvesse, haja vista que, atualmente, ainda existem cerca de 460 desaparecidos.

TIRO NO PÉ que a Folha deu, abrindo as portas do STM às várias famílias que desejam saber o que consta nos processos de seus entes, presos, torturados, desaparecidos.

Vamos saber agora porque o inesquecível Presidente Juscelino, depois de cada interrogatório no Forte Imbuí, urinava sangue e tomou um tiro no pé ao responder à idiota e humilhante pergunta: trabalhava? o que fazia?, ao que JK literalmente respondeu: entre outras coisas promovi você a coronel, seu filho-da-puta.
TIRO NO PÉ que a Folha deu, ao se ler palavras emblemáticas contidas no "secretíssimo" processo da assassina e assaltante Dilma Rousseff, que ponho em relêvo no texto abaixo:

1. Joana d'Arc da subversão. A padroeira da França também foi uma subversiva cujo castigo foi ser queimada viva. Passados mais de 400 anos, canonizada pelo Vaticano. Hoje é Santa Joana d'Arc.
2. Não se pôde COMPROVAR que tenha participado diretamente em nenhuma ação armada. Segundo os arquivos.

3. É uma figura feminina de expressão tristemente notável, mas com uma dotação intelectual bastante apreciável. (Dizem os arquivos que O Globo teve acesso). Sem parti pris, isso é um elogio e, convenhamos, "expressão notável" e "dotação intelectual bastante apreciável" não deixam de ser atributos positivos para uma pessoa que almeja ser Presidente.

4. Os grupos de inteligência das Forças Armadas não confirmaram sua participação direta em NENHUMA AÇÃO ARMADA, de acordo com os arquivos do Ministério Público Militar. Uma opinião pessoal: pode ser Presidenta ou seja lá o que for, neste episódio não se pode cogitar de uma "anistia", um deixa-pra-lá, um esquece, e sim, de um processo para que a tão decantada LIBERDADE DE OPINIÃO seja colocada nos trilhos. Uma coisa é Liberdade, outra, essa que vimos é Libertinagem.

5. Documentos que POUCO FALAM sobre vínculos de Dilma às guerrilhas urbanas contra a ditadura.
Concluindo, UM TIRO NO PÉ é pouco. Melhor dizendo, a Folha arrancou o próprio pé. Agora, o melhor a ser feito e meter a viola no saco e demitir o rapaz que serve o cafezinho na redação, autor das inverdades, mentiras assacadas contra a candidata Dilma. E os canalhocratas que repetiam tais afirmativas, naturalmente desejando implantar no Brasil uma canalhocracia finjam-se de morto, tirem umas férias, mandem a empregada dizer qualquer coisa, uma sugestão, férias em Paris. Pega bem, FHC deve estar lá tomando a sua champanhota.

Quando falam que a mentira tem pernas curtas, muitos não acreditam. Desta vez, a Folha pagou para ver. O STM mostrou. A Folha viu!!! O Brasil está vendo.

*Mineiro, autor de A MINEIRICE e outros livretes, reside na Restinga de Piratininga/Niterói, onde é Inspector of Ecology da empresa Soares Marinho Ltd. Quando o serviço permite o autor fica na janela vendo a banda passar.

Fonte: Blog Desabafo Brasil

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sábado, 20 de novembro de 2010

A vingança póstuma de Otavio Frias de Oliveira

Por Eduardo Guimarães

O homem fardado e a declaração na foto acima correspondem a Otávio Frias de Oliveira, o falecido fundador do jornal Folha de São Paulo. Imagem e palavras pertencem a momentos distintos de sua vida. Todavia, unidas explicam por que seu herdeiro Otavio Frias Filho, o “Otavinho”, foi resgatar em arquivos dos órgãos de repressão da ditadura militar as desculpas usadas por esta para prender e torturar Dilma Vana Rousseff, a presidente eleita do Brasil.

Frias de Oliveira lutou na Revolução Constitucionalista de 1932, que tentou dar um golpe de Estado contra Getúlio Vargas. Coerente com seu apreço pelo militarismo e pela derrubada de governos dos quais não gostava, apoiou o golpe militar de 1964. Nesse período, a Folha de São Paulo serviu de voz e pernas para os ditadores que se sucederiam no poder ao exaltá-los e ao transportar para eles seus presos políticos até os centros de tortura do regime.

No dia 21 de setembro de 1971, a Ação Libertadora Nacional (ALN) incendiou camionetes da Folha que eram utilizadas para entregar jornais. Os responsáveis acusavam o dono do jornal de emprestar os veículos para transporte de presos políticos. Frias de Oliveira respondeu ao atentado publicando um editorial na primeira página no dia seguinte, sob o título “Banditismo”.

Eis um trecho do texto:

“Os ataques do terrorismo não alterarão a nossa linha de conduta. Como o pior cego é o que não quer ver, o pior do terrorismo é não compreender que no Brasil não há lugar para ele. Nunca houve. E de maneira especial não há hoje, quando um governo sério, responsável, respeitável e com indiscutível apoio popular está levando o Brasil pelos seguros caminhos do desenvolvimento com justiça social-realidade que nenhum brasileiro lúcido pode negar, e que o mundo todo reconhece e proclama. [...] Um país, enfim, de onde a subversão -que se alimenta do ódio e cultiva a violência – está sendo definitivamente erradicada, com o decidido apoio do povo e da imprensa, que reflete os sentimentos deste. Essa mesma imprensa que os remanescentes do terror querem golpear.”

(Editorial: Banditismo – publicado em 22 de setembro de 1971; Octavio Frias de Oliveira).

O presidente da República de então era Emílio Garrastazu Médici. Nomeado presidente pelos militares, comandou o período mais duro da ditadura militar. Foi a época do auge das prisões, torturas e assassinatos de militantes políticos de esquerda pelo regime.

Apesar dos elogios de Frias de Oliveira à ditadura, segundo a Fundação Getúlio Vargas foi no governo Médici que a miséria e a concentração de renda ganharam impulso. O Brasil teve o 9º Produto Nacional Bruto do mundo no período, mas em desnutrição perdia apenas para Índia, Indonésia, Bangladesh, Paquistão e Filipinas.

O uso político que o jornal Folha de São Paulo começou a fazer neste sábado das desculpas da ditadura para prender e torturar impiedosamente uma garota de 19 anos que lutava para libertar seu país do regime de exceção constitui-se, portanto, em uma vingança póstuma de um homem que dedicou sua vida à uma luta incessante contra a democracia, obviamente por acreditar que o povo não sabia votar.


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Folha de São Paulo

20/11/2010

Dilma tinha código de acesso a arsenal usado por guerrilha
Revelação foi feita em 1970 sob tortura por ex-colega da petista na luta armada e confirmada por ele em entrevista
Grupo VAR-Palmares guardava em imóvel 58 fuzis e 4 metralhadoras; armamento foi roubado de batalhão do ABC
MATHEUS LEITÃO
LUCAS FERRAZ


DE BRASÍLIA

A presidente eleita, Dilma Rousseff, zelava, junto com outros dois militantes, pelo arsenal da VAR-Palmares, organização que combateu a ditadura militar (1964-1985).

Entre os armamentos, havia 58 fuzis Mauser, 4 metralhadoras Ina, 2 revólveres, 3 carabinas, 3 latas de pólvora, 10 bombas de efeito moral, 100 gramas de clorofórmio, 1 rojão de fabricação caseira, 4 latas de “dinamite granulada” e 30 frascos com substâncias para “confecção de matérias explosivas”, como ácido nítrico. Além de caixas com centenas de munições.

A descrição consta do processo que a ditadura abriu contra Dilma e seus colegas nos anos 70. A Folha teve acesso a uma cópia do documento. Com tarja de “reservado”, até anteontem ele estava trancado nos cofres do Superior Tribunal Militar.

Trata-se de depoimento dado em março de 1970 por João Batista de Sousa, militante do mesmo grupo de guerrilha do qual Dilma foi dirigente.

Sob tortura, ele revelou detalhes do arsenal reunido para combater a repressão e disse que Dilma tinha recebido a senha para acessá-lo.

Quarenta anos depois, Sousa confirmou à Folha o que havia dito aos policiais -e deu mais detalhes.
Dilma já havia admitido, em entrevista à Folha em fevereiro, que na juventude fez treinamento com armas de fogo. O documento do STM, porém, é a primeira peça que a vincula diretamente à ação armada durante a ditadura.

Procurada pela Folha, a presidente eleita não quis falar sobre o assunto.

O armamento foi roubado do 10º Batalhão da Força Pública do Estado de São Paulo em São Caetano do Sul (SP), de acordo com o DOPS (Departamento de Ordem Política e Social).

A ação ocorreu em junho de 1969, mês em que as organizações VPR e Colina se fundiram na VAR-Palmares.

Sousa disse que foi responsável por guardar o arsenal após a fusão. Com medo de ser preso, fez um “código” com o endereço do “aparelho” -como eram chamados os apartamentos onde militantes se escondiam.

Para sua própria segurança e do arsenal, Sousa dividiu o endereço do “aparelho” em Santo André (SP) em duas partes.

Assim, só duas pessoas juntas poderiam saber onde estavam as armas. Uma parte da informação foi entregue a Dilma, codinome “Luisa”. A outra, passada a Antonio Carlos Melo Pereira, guerrilheiro anistiado pelo governo depois de morrer.

O documento registra assim a informação: “Que, tal código, entregou a “Tadeu” e “Luisa”, sendo que deu a cada um uma parte e apenas a junção das duas partes é que poderia o mencionado código ser decifrado”.

“Fiz isso para que Dilma, minha chefe na VAR, pudesse encontrar as armas”, diz, hoje, Sousa.
Tido pelos colegas como um dos mais corajosos da VAR-Palmares, Sousa afirma ter sido torturado por mais de 20 dias. Ficou quatro anos preso e, hoje, pede indenização ao governo federal.

Aposentado, depois de trabalhar como relações públicas e com assistência técnica para carros no interior de São Paulo, ele diz ter votado em Dilma. Na entrevista, chamou a presidente eleita de “minha coordenadora”.

“PONTOS”

Sousa contou que tinha três “pontos” -como eram chamados os locais e horas de encontro na clandestinidade- com Dilma nos dias seguintes à sua prisão. Mas disse que não entregou as datas e endereços durante as sessões de tortura -inclusive com choques elétricos na “cadeira do dragão”.
Sousa participou de operações armadas, como assaltos a bancos e mercados. “Informava todas as ações para Dilma com três dias de antecedência”, declarou.

Com a “dinamite granulada”, por exemplo, ele afirma ter feito bombas com canos de água “cortados no tamanho de quatro polegadas, com pregos dentro”.

Quando 18 militares à paisana cercaram seu “aparelho”, Sousa os recebeu com rajadas de metralhadoras e com as bombas caseiras. Um militar ficou ferido.

Os agentes conseguiram uma trégua após duas horas de intenso tiroteio.

Sousa diz que, meses depois, Dilma contou a ele que, quando ele não apareceu nos encontros previstos, ela usou o código para pegar o arsenal: Dilma e Melo encontraram a casa perfurada de balas e a rua semelhante a uma trincheira de guerra, com enormes buracos.

O depoimento registra 13 bombas jogadas contra os militares. Com um vizinho, Dilma e Melo descobriram que o companheiro esquerdista havia sido levado vivo pela repressão.
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Fonte: Blog Cidadania.com

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