sexta-feira, 7 de maio de 2010

A EDUCAÇÃO NO BRASIL

Por Nélio Azevedo

Enquanto alguns países investem pesado na educação, para que a melhoria do sistema os coloque em condições de competir com outros em condições de igualdade no emergente mercado de trabalho; o Brasil apresenta alguns números que são, no mínimo, preocupantes:

No ano de 2005, mais de 90% dos alunos da escola pública de Tinga, distrito de Maiquinique, Sul da Bahia; abandonaram ou foram reprovados.

Maiquinique encabeça uma lista de 1.242 municípios considerados de investimento prioritário pelo governo, por apresentar os piores resultados no IDEB, Índice de Desenvolvimento da Educação Básica.

Maiquinique teve em 2005 a nota de 0,3 (5ª a 8ª Séries) e, que ao alcançar a nota 2,2 em 2007, fez com que se acendesse uma luz vermelha; a mesma suspeita de fraude recai sobre outras 1.392 cidades que alcançaram notas e conseguiram melhoras tão surpreendentes que adiantaram as metas a serem cumpridas somente em 2011.

Depois de uma visita de três dias, as consultoras do Ministério da Educação não constaram como problemas o fato de parte dos alunos da 5ª série que tinham de se assentar no chão porque não havia cadeiras suficientes nem que a escola rural de 1ª a 4ª série oferecem menos de 4 horas de aula por dia, (não tem fornecimento de energia elétrica e fica tão distante que os alunos gastam muito tempo até ela, já que fica a 12 quilômetros de distância) nem que os métodos “pedagógicos” empregados pelo professor para punir quem não terminou a lição são os mesmos de cem anos atrás. (os alunos ficam de joelhos no centro da sala de aula). Explicação: “A função dos consultores não é fiscalizar, mas ajudar a melhorar”.

Em duas escolas de Maiquinique, as turmas de 3ª e 4ª séries ainda não tinham recebido os livros didáticos e, já estavam no mês de junho.

Ao contatar a editora responsável pela entrega dos livros, ficou constatado um engano na cidade de destino dos livros e cada pai teve que contribuir com R$ 27 para que os alunos tivessem acesso aos livros de português e matemática; isso, numa cidade onde o IDH de 2000 teve 60% da população classificada como pobre.

Em 2004 os gastos da cidade foram auditados pela Controladoria-Geral da União, pelo sorteio de municípios. O relatório apontou desvios de 40% dos recursos do Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental (Fundef) de 2003. Alem da metade da verba para a merenda escolar. Os indícios de desvio somam R$ 130 mil. O orçamento para 2008 prevê menos de R$ 3 milhões para a educação. O ex-prefeito tem até agosto para devolver o dinheiro ou a verba para a merenda escolar será cortada.
  
Veja o ranking das escolas públicas brasileiras. Segundo o Ideb

AS CAMPEÃS DA EDUCAÇÃO PÚBLICA  - 4ª Série:
Escola
Local
Nota 
Esc. Munic. Profª Elisabeth M. Carvalho Almeida
Santa Fé do Sul – SP
8,6
EMEF Armínio Girardi
Arrinha - SP
7,9
E.M. André Ruggeri
Cajuru - SP
7,9
E.M. Profª Cirley Volpe Lopes
Santa Fé do Sul - SP
7,9
E.M. Amilde Tedeschi
Adolfo - SP
7,7
E.M. Rosimares Camargos Benitez
Santa Fé do Sul - SP
7,7
E.M. Prof. Benedito de Lima
Santa Fé do Sul - SP
7,6
EMEF  Profª Ana Maria Segura
Cosmorama - SP
7,5
E.M.  João de Mattos Silveira
Mineiros do Tietê - SP
7,5
Colégio Estadual divino Mestre
Parai - SP
7,4
AS CAMPEÃS DA EDUCAÇÃO PÚBLICA - 8ª Série:
Escola
Local
Nota 
Colégio de Aplicação do Centro de Educação
Recife - PE
8,2
Colégio Militar de Recife
Recife - PE
7,2
Colégio Militar de Salvador
Salvador - BA
7,2
Colégio de Aplicação da UFRJ
Rio de Janeiro - RJ
7,1
E.M. de Formação Professor Governador Portela
Miguel Pereira - RJ
7,0
Colégio Pedro II
Rio de Janeiro - RJ
7,0
Escolal do Recife – FCAP UPE
Recife - PE
6,9
Colégio Militar de Fortaleza
Fortaleza - CE
6,8
Colégio Militar de Brasília
Brasília - DF
6,7
Escola de Aplicação Professor Chaves
Nazaré da Mata - PE
6,6


Como se pode ver, não tem nenhuma escola de Minas Gerais e de vários estados nas melhores colocações e, agente vê tanta propaganda dizendo que os alunos das escolas mineiras tiveram notas acima da média nacional nos testes do ENEN e outras notícias enaltecendo a escola pública mineira que a gente fica pensando que há algum engano.
Nós ou os governantes estamos enganados, ou serão os dois? Esse engano nos faz pensar que o nosso futuro não terá muita diferença do nosso passado, que infelizmente, não tem muita diferença do presente.

Fonte IBGE e Revista Época (Dados e reportagem publicados em 2008)
 

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