Privatizações
Para quem ainda tinha alguma dúvida:
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| Aécio Kfouri |
Por Laerte Braga
O Departamento de Estado do governo dos EUA – Ministério das Relações Exteriores – através de um dos seus porta-vozes, disse a jornalistas na quinta-feira que a visita do presidente do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva, ao Irã será a última chance do governo daquele país aceitar as regras impostas pelas grandes potências, Estados Unidos à frente, contra o seu programa nuclear.
É simples entender isso. O presidente Barack Obama não preside uma nação, ou uma federação de estados associados como pressupõe a constituição dos EUA. É uma espécie de gerente de um conglomerado que envolve grupos sionistas (judeus radicais, não haveria exagero algum dizer judeus/nazistas), empresários de setores estratégicos (armas e petróleo principalmente) e banqueiros.
O bi-partidarismo vigente nos EUA (existem mais de mil partidos regionais, de bairros, etc, mas dois com presença nacional, Democratas e Republicanos) não traz em si nenhuma contradição no que diz respeito à postura imperialista e terrorista desse conglomerado.
É só olhar, com o mínimo de atenção, o que aconteceu e acontece no Iraque, no Afeganistão, na Colômbia, como antes na Coréia, no Vietnã, na antiga Iugoslávia, ou antes ainda, na América Latina.
Nos Estados Unidos vivem 320 milhões de seres humanos. Tomando como referência uma família considerada padrão, quatro pessoas, temos 80 milhões de famílias na maior potência do mundo.
Um relatório do Departamento de Agricultura – Ministério da Agricultura – afirma que os números da fome nos EUA são maiores em 2009 que em 1985. Perto de 15% das famílias de cidadãos daquele país não têm acesso “a um abastecimento de comida adequado”. Isso significa que perto de 12 milhões de norte-americanos vivem em estado crônico de fome.
A população de Cuba é de 11 milhões de habitantes. Ninguém passa fome. Um documentário do cineasta Michael Moore mostra que, além disso, idosos e veteranos de guerra nos EUA, além de negros, latinos, asiáticos, não têm a menor assistência de saúde pública. Um dos planos do presidente Obama é diminuir esse número com um novo modelo de saúde pública. Mas, ainda assim, exclui imigrantes, mão de obra literalmente escrava.
Quando o furacão Katrina destruiu a cidade de New Orleans, importante centro cultural no país, o presidente George Bush – texano – levou 72 horas para tomar medidas de socorro e assistência às vítimas da tragédia. Em Cuba, a cidade de Holguin foi totalmente destruída pelo furacão, nenhuma casa ficou de pé e uma única morte foi registrada.
A mãe de Bush, Barbra Bush, esposa de um também ex-presidente, George Bush, chegou a declarar de forma debochada que as vítimas do Katrina em New Orleans estavam melhores nos acampamentos de emergência “pois aqui comem pelo menos três vezes por dia”.
É a síntese das elites que dirigem esse conglomerado e nem as mudanças no plano de saúde pública que Obama conseguiu aprovar no Congresso, atenuam ou mudam essa situação.
A rede de supermercados WAL-MART anunciou que vai doar dois bilhões de dólares contra a fome nos EUA. Um comunicado da empresa afirma que durante cinco anos a venda de quase 500 milhões de quilos de alimentos em suas lojas vai financiar um programa de distribuição de alimentos através da Sam’s Club, divisão de lojas especializadas em negócios atacadistas.
O anúncio foi feito por Eduardo Castro-Wright, vice-presidente da rede WAL-MART.
Uma única dessas guerras estúpidas e bárbaras calçadas em mentiras (como a das armas químicas e biológicas de Saddam Hussein), mas voltadas para o controle de petróleo, minerais estratégicos e interesses geopolíticos do império, seria o suficiente para que os doze milhões de norte-americanos saíssem da zona da miséria, da fome, por muito mais que os cinco anos do projeto da rede WAL-MART.
E é bem mais simples ainda entender isso. Nem Bush, nem Obama, nenhum deles, antes, o que está, ou os que virão, têm a menor preocupação com o problema. Não afeta aos “negócios”, pelo menos por enquanto.
A decisão do governo do Irã de ter acesso a tecnologia nuclear para fins pacíficos – nem importa que sejam para fins militares, Israel é o agressor na região e dispõe de armas nucleares fornecidas pelos EUA – transforma-se num risco não para norte-americanos, mas para o conglomerado que transformou a nação naquilo que o general – um general – Dwight Eisenhower chamou de “complexo industrial e militar”. Constatação que o escritor John dos Passos havia feito anos antes.
Ao colocar nas mãos do presidente do Brasil e sua viagem ao Irã uma pretensa negociação para que o governo de Ahmadinejad aceite as regras impostas pelos senhores do mundo, o governo de Obama, mais que isso, constrange o presidente Lula, pois não é esse o objetivo da visita de Lula.
Uma declaração feita pelo brasileiro frente à primeira-ministra da Alemanha, quando em visita àquele país e em resposta a uma declaração da senhora Merkel sobre o Irã (também tentando pressionar o Brasil) foi fulminante sobre o assunto – “para que se possa exigir que um país não tenha armas nucleares é preciso não ter armas nucleares, ter moral para isso” – .
Os Estados Unidos por sua história de potência intervencionista, imperialista, por sua postura diante do genocídio perpetrado pelo governo sionista de Israel contra o povo palestino, suas políticas golpistas e terroristas contra governos independentes, por tudo o que representa como império de um dos mais estúpidos modelos políticos e econômicos da história da humanidade, não tem moral, vale dizer fundamentos na verdade, para tentar sanções contra o Irã ou qualquer país livre do mundo (livre do jugo de Washington).
O campo de concentração de Guantánamo, as prisões secretas agora reveladas pela imprensa norte- americana (inclusive porta-aviões usados como tal), os assassinatos de líderes oposicionistas em outros países (um líder do Hamas em Dubai por agentes israelenses com passaportes falsos e confeccionados na Grã Bretanha), os seqüestros, as mortes de contingentes e contingentes de civis nas guerras que travam, toda a sorte de terrorismo travestido de defesa da liberdade e da democracia, é farsa, encobre o mais violento e brutal império – pelo poder brutal de destruição que querem manter exclusivo – de toda a trajetória da humanidade.
Nós, os povos latino-americanos, somos um alvo preferencial dos EUA. Países da América Central e da América do Sul têm importância capital para os negócios do conglomerado. O general Colin Powell, quando das articulações com o ex-presidente do Brasil Fernando Henrique Cardoso para a ALCA – ASSOCIAÇÃO DE LIVRE COMÉRCIO DAS AMÉRICAS – chamou essa parte do mundo de “mercado de um trilhão de dólares”.
Negócios, só negócios. Seres humanos nesse jogo são meros adereços.
As grandes potências da Europa hesitam no ventre da Comunidade Européia em assumir as responsabilidades por países que vivem crises econômicas decorrentes do modelo neoliberal. A perspectiva é que além da Grécia, Portugal, Espanha e Itália venham a necessitar de socorro para evitar a débacle, ao mesmo tempo em que a Bélgica, dissolvida entre duas forças populacionais – flamencos (língua holandesa) e valões (língua francesa), se desintegra como nação (é a sede da Comunidade Européia).
EUA (que inclui México e Canadá como sub-nações) e Comunidade Européia (sustentando Alemanha, Grã Bretanha e França) sobrevivem falidos na exploração de países asiáticos, latino-americanos, africanos, em políticas e guerras de terra arrasada.
São potências, maiores ou menores, que buscam pela força, pela aliança econômica e principalmente militar, manter o mundo de joelhos, submisso aos seus interesses.
O Brasil tem um papel muito maior do que se possa imaginar nesse contexto. E a sobrevivência do nosso Pais como nação soberana, independente, não depende de um porta-voz determinar (a mando de superiores evidente) que Lula seria como que um preposto a dar um ultimato ao Irã.
Não importa nem que nossos militares pensem como norte-americanos, sujeitem-se a norte-americanos (num acordo militar ultrajante para o Brasil e os brasileiros).
Ou que José Collor Arruda Serra tenha tentado privatizar a PETROBRAS em manobra de anos atrás. E o que pretende fazer agora se eleito.
Importa que a integração latino-americana, por conta de nossas histórias, nossos caminhos, nossos ideais, nossos sentimentos de liberdade, seja um fato concreto e efetivo nos próximos anos, sob pena de como o México e o Canadá, ou o Paquistão, ou a Colômbia, virarmos sub-nações, protetorados das grandes potências.
A história conta que a Inconfidência Mineira se deu como conseqüência dos altos impostos, o quinto, cobrado pela coroa portuguesa. Foi uma reação de elites, mas um movimento de independência.
Não é diferente hoje. É o quinto é do passado. EUA querem o Brasil inteiro e o Brasil é chave na América Latina.
Como? Apostam tudo em militares comandados por controle remoto a partir de Washington, elites econômicas podres e apátridas (FIESP/DASLU/CNA, etc), no latifúndio do transgênico nosso de cada dia e materializam essa aposta em José Collor Arruda Serra, funcionário da Fundação Ford, braço do império.
Eleições não vão nos levar ao paraíso. Eleições são instrumentos para conquistas efetivas de um povo, dentre elas maior participação popular no processo de decisões e isso implica em consciência da realidade.
Vivemos a escravidão da mídia controlada pelos EUA. O espetáculo da desintegração do ser humano.
A questão é de sobrevivência e um retrocesso com Arruda Serra vai nos colocar no tempo das diligências.
A própria questão nuclear. Se não houver um desarmamento de países imperialistas e detentores do poder de destruição total, não há porque, a despeito dos nossos militares em sua maioria prestarem continência à bandeira dos EUA, não buscarmos a nossa bomba atômica.
Ou somos uma nação e continuamos a ser, ou seremos de novo colônia.
Se isso acontecer, a eleição de José Collor Arruda Serra, breve nova corte com nova d. Maria a Louca, ou outra Carlota Joaquina passeando por jardins e terras nacionais enquanto carregamos liteiras para sustentar impérios.
Yes, we cant foi o slogan de Obama. “Sim nós podemos mais” é a adaptação de Arruda Serra.
Lula não vai dar a última chance ao Irã e nem pode sob pena de trair seus próprios princípios, ao que tem dito sobre o assunto. E a integração latino-americana tem que ser a nossa resposta a um império onde 12 milhões de pessoas não têm o que comer. Mas é capaz de destruir o mundo duzentas vezes se preciso for.
Ou comprar a mídia podre (GLOBO, VEJA, FOLHA DE SÃO PAULO, etc), partidos inteiros (PSDB, DEM, PPS, etc) e se fartar em elites corruptas, venais, sintetizadas na ostentação FIESP/DASLU.
É uma questão de sobrevivência.
Fonte: Grupo Cidadania Brasil
Por Nélio Azevedo
Outro dia eu ouvi o presidente Lula anunciando que estava perto de se concretizar a licitação para o Trem-bala, ligando Campinas - São Paulo - Rio. Fiquei pensando o quê que esse caríssimo empreendimento poderia trazer para o povo brasileiro.
O Brasil já teve uma boa rede ferroviária, que por ser de bitola estreita, ficou superada o lobby da indústria automobilística acabou por vencer e essa rede foi quase totalmente extinta. Todo mundo está careca de saber que o transporte ferroviário é o mais barato que existe e, um país de dimensões continentais como o Brasil, deveria seguir o exemplo dos EUA, Rússia, China e Índia, que têm invejáveis malhas ferroviárias. No caso dos EUA, o que é mais interessante é que eles têm a maior frota de caminhões do mundo e a maior malha ferroviária, com mais de 1 milhão de quilômetros de vias que cortam o país de norte a sul e de leste a oeste. A Rússia tem o famoso Trem Transiberiano que já vimos em filmes e documentários de fazer inveja.
A execução desse projeto ficaria em mais de 20 Bilhões de reais, acho que se empregassem esse dinheiro numa malha menos chic, daria para ligar esse país de norte a sul, leste-oeste e ainda sobraria alguma grana para aparelhar melhor os portos marítimos e fluviais e os aeroportos.
Esse trem-bala atenderia um número pequeno de pessoas que teriam poder aquisitivo suficiente para pagar as passagens enquanto que o trem mais simples poderia atender a um número muito maior de pessoas e poderia baratear o frete do transporte de cargas, promovendo uma integração maior dos estados da federação.
O Brasil tem uns 8 mil quilômetros de costa, no entanto, não temos navegação de cabotagem e, o que é mais estranho é que temos hoje a quinta maior indústria naval, com capacidade comprovada de produzir embarcações como o superpetroleiro que acaba de ser lançado em Suape, com 288 m.
Temos uma bacia hidrográfica de fazer inveja e, no entanto, quase não temos navegação fluvial ou lacustre, outro meio de transporte barato e que deveria ser incrementado com a construção de eclusas nas represas e seguir adiante o projeto que liga o Rio Tietê ao Rio Paraná, se tornando um canal para escoamento e exportação dos produtos do agronegócio.
Outra coisa que me deixa intrigado é que o Brasil com todo esse mar interior, consome menos pescado que outros países que não foram tão bem aquinhoados. Tirando a região amazônica, o pescado é muito caro e, não possuímos uma indústria nem uma frota pesqueira decente.
Não temos o hábito de comer peixe, um alimento saudável e que poderia suprir nossas necessidades diárias, no entanto, o que vemos é realmente uma coisa espantosa, nos supermercados encontramos o salmão, um peixe importado com o preço mais baixo do que o da tilápia, uma espécie rústica que não necessita de cuidados especiais na sua criação e engorda, come tudo que cai na água e ganha peso suficiente para o abate em muito pouco tempo. Poderíamos ainda popularizar a criação e o consumo de peixes oriundos do Amazonas, como o pacu e o tambaqui. Peixes como o dourado, piau e surubi têm preços proibitivos para a maioria do povo assalariado. Deveria existir um programa de reforço alimentar baseado no consumo de pescado e outros tipos de carnes como a de ovelhas e caprinos como o que existe no nordeste brasileiro, aliviando assim, a expansão da criação de gado bovino, tão prejudicial ao meio ambiente e, que só representa um grande negócio para os exportadores. Deveríamos seguir o exemplo da China onde existe a criação em consórcio de peixes e marrecos nas plantações de arroz de lâmina-d’água.
Um país de dimensões tão amplas como o Brasil deveria ter projetos de criação de hortas comunitárias, (já existiu antes) onde escolas e entidades beneficentes poderiam se beneficiar da produção e o excedente seria comercializado na comunidade. O Ministério da Saúde deveria implementar projetos desse tipo juntamente com outros ministérios, secretárias e a Embrapa, isso é uma questão do Estado e faz parte do programa de segurança alimentar.
Assisti um documentário na TV em que uma conhecida fábrica de sucos do nordeste oferecia às escolas da região nordeste, a poupa excedente do caju, já que a castanha tem mais valor que a polpa, as prefeituras só teriam que buscar essa oferta preciosa e rica em vitamina C, mas não houve interesse e as crianças que estudam na rede pública continuam assombradas pelo fantasma da desnutrição e da anemia.
Por Nélio Azevedo
Pegando um gancho no texto do Laerte Braga, gostaria de dizer que para algumas pessoas, esses dados são uma triste lembrança; para outras, uma surpresa, já que isso não foi amplamente divulgado.
Saiba que o senhor sociólogo-rei FHC, que governou o país por uma década, antes de vender as empresas telefônicas, investiu 21 bilhões de reais no setor, em dois anos e meio. Vendeu tudo por uma entrada de 8,8 bilhões de reais ou menos – porque financiou metade da “entrada” para grupos brasileiros. Como alguns desistiram ou não pagaram, o BNDES virou sócio das teles.
Na venda do Banerj, o “comprador” pagou apenas 330 milhões de reais e o governo do Rio tomou, antes, um empréstimo dez vezes maior, 3,3 bilhões de reais para pagar direitos trabalhistas.
Os outros bancos estaduais não foram diferentes na venda, Agrimisa, Credireal, Bemge, Bamerindus e tantos outros foram saneados – gastaram bilhões para saldar os passivos trabalhistas – e vendidos a preço de banana para os grandes bancos.
Na privatização da rodovia dos Bandeirantes, a empreiteira que ganhou o leilão recebeu 220 milhões de pedágio por ano desde que assinou o contrato – e até abril de 1999 não começara a construção da nova pista.
A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) foi comprada por 1,05 bilhão de reais, dos quais 1,01 bilhão em “moedas podres” – vendidas aos “compradores” pelo próprio BNDES, financiadas em 12 anos, no final das contas ela desembolsou apenas 38 milhões de reais. Até a Light recebeu um empréstimo de 730 milhões de reais no ano de 1998. E, para aumentar os lucros dos futuros “compradores”, o governo engoliu dívidas bilionárias, demitiu funcionários, investiu maciçamente e até aumentou tarifas e preços antes da privatização.
O caso mais escandaloso de “investimentos para enriquecer os compradores” foi o do sistema Telebrás. Em 1996, o governo duplicou os investimentos nas teles, alcançando 7,5 bilhões de reais, chegou aos 8,5 bilhões em 1997 e investiu mais 5 bilhões no primeiro semestre de 1998, totalizando, portanto, 21 bilhões de reais de investimentos em dois anos e meio. Uma das conseqüências dessa gastança foi o “ajuste fiscal” que o governo foi obrigado a fazer no fim de 1997. Os setores que mais sofreram cortes no orçamento da união foram a saúde e a educação, sem contar que todas as verbas para o Nordeste quase desapareceram. Mesmo com a projeção feita pelo falecido ministro Sérgio Motta, de que a privatização das teles renderia algo perto de 35 bilhões de reais, não chegou a 11,3 bilhões e recebeu de imediato só 5,4 bilhões.
As privatizações não contribuíram para reduzir o rombo e as dívidas do Tesouro – totalmente atolado em 1999, com o pagamento de juros na casa astronômica dos 130 bilhões de reais. Uma dívida impagável que equivalia na época ao orçamento da União – excluindo-se a Previdência. Esse conjunto macabro deveria trazer ao país uma forte entrada de dólares, o que não aconteceu e para completar o sinistro quadro, permitiu às empresas privatizadas aumentar em muito a remessa de lucros para o exterior. O aparelhamento das teles forçou as importações para além de 11 milhões de reais, contra um total de 3 bilhões exportados, criando um déficit na balança de 8 bilhões de reais.
Para suprir o rombo na economia do país, o governo não tinha mais as estatais para suprir os cofres, ele lançou mãos de tudo que pôde, FGTS; FAT; PIS-Pasep; criando uma dívida com os trabalhadores desse país de mais de 60 bilhões de reais. Tudo somado, contas bem feitas mostrariam que as privatizações não reduziram o rombo do governo. Ao contrário, elas contribuíram para para aumentá-lo e aquele governo admitiu isso com todas as letras. Na carta de intenções que o ministro Malan (malandramente) entregou ao FMI. Mas, só contou pra eles.
Não vou me estender mais nem falar na Petrobrás; nem na Vale; nem na Fepasa onde o governo privatizou dinheiro em caixa; mas, o povo brasileiro tem que se lembrar ou saber o que realmente se passou nesse país para que não aconteça novamente depois das eleições que teremos para Presidente da República, de qual governo nós queremos que uma continuidade. Esse que está aí ou o que passou como um vendaval que entregou nossas estatais de mãos-beijadas?
Fontes:
BNDES – “Privatização na indústria de telecomunicações, antecedentes e lições para o caso brasileiro, de Florinda Antelo Pastoriza”.
Brasil Privatizado – de Aloysio Biondi - 1999
Por Laerte Braga
Você pode entrar numa revendedora de automóveis, por exemplo, ou numa loja de eletrodomésticos e levar o que quiser em não sei quantas prestações, crédito pré-aprovado, juros mais baixos, entrega em 24 horas (que na verdade são de três a cinco dias), tudo sem entrada e pronto. A felicidade bateu à sua porta, um carro do ano ou uma tevê daquelas que parece que você está no cinema.
No primeiro problema, digamos que algo não funcione, ou no carro, ou na tevê, você entra em contato com a revendedora, a loja, eles anotam, encaminham para o serviço competente, lhe dão um número de protocolo, atribuem o defeito ao fabricante, prometem solução rápida e ainda de quebra, se você quiser apressar o atendimento recebe um telefone mágico, 0800, que nunca atende, deixa você esperando com aquela música chata e de tempos em tempos uma voz anuncia as excelências do carro ou da tevê que não funcionam.
De repente... De repente você percebe que não leu as tais letras miúdas do contrato e se lasca. Um processo judicial, mesmo no que chamam juizado de pequenas causas, vai demorar, vai se arrastar e muitas vezes o objetivo da revendedora ou da loja é alcançado. Você desiste, larga para lá.
A ação tem que ser proposta no foro deles, eles têm duzentos advogados, você ainda vai gastar para pagar o seu, os resultados são incertos, você literalmente se lasca.
Em se tratando de bancos e companhias telefônicas então, mais que se lasca. Se arrebenta. No fim ainda são capazes de provar que errado é você, que os serviços foram prestados dentro da lei, você é que não prestou atenção aos termos do contrato, acaba pagando por ter razão.
Transfira tudo isso para a política, a democracia, ou o simulacro de democracia que temos.
Você elege um deputado, um senador, um vereador, um prefeito e tem que aguentar o mandato inteiro. Tirar qualquer um desses seja por corrupção, quebra de compromisso assumido em praça pública é quase impossível. Collor saiu porque não foi capaz de garantir aos donos da “loja Brasil” que poderia continuar a vender o produto Brasil e de quebra os brasileiros, com segurança para os tais donos. Do contrário teria ficado.
FHC não fez a mesma coisa e ficou oito anos? Foi eleito para quatro, comprou deputados e senadores, mídia e arrumou uma reeleição sem qualquer consulta popular?
Vendeu o filé do Brasil para os donos e repartiu os prejuízos com os eleitores. Altos índices de desemprego, preços bem mais altos que os que se praticam hoje, como gostam de dizer os economistas, se não tivesse acontecido reação de determinados setores, teria passado a escritura.
Para privatizar, por exemplo, as empresas de telefonia pública, saneou todas elas e entregou-as em suaves prestações aos grupos estrangeiros e nacionais que se associaram para o saque, com financiamento do BNDES – Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social –.
Para entregar o sistema financeiro aos grandes grupos estrangeiros criou um negócio chamado PROER, pagou as dívidas e as trapalhadas dos banqueiros e promoveu uma festa para bancos estrangeiros e grupos nacionais a eles atrelados.
Bilhões de reais que, cinicamente, dizia que seriam transformados em bem estar para a população.
Eleições viraram, antes de mais nada, um grande negócio para empresas de comunicação, marqueteiros, alguns institutos de pesquisa (DATA FOLHA E GLOBOPE – antigo IBOPE).
Você pode transformar e fizeram isso um marajá em caçador de marajás, em presidente da República, colocando-lhe uma coroa de modernizador, fonte de progresso, até que se perceba que o cara não é nada disso, que no duro mesmo é um baita risco e em seguida colocar alguém mais confiável, como fizeram com FHC.
Eleger um presidente da República não significa necessariamente que todos os problemas serão resolvidos num passe de mágica, ou que o País vá se transformar num Éden. Mas não pode significar um retrocesso, uma volta a um passado tenebroso, tenha sido o gerado pela ditadura militar, ou o construído por FHC.
Da mesma maneira que vendem um carro ou uma tevê, que seja uma dessas máquinas de lavar com o tal sabão que tira todas as manchas, mas não tira nenhuma, vendem um candidato.
Tornam o processo eleitoral num espetáculo. Seja através de mentiras grosseiras, no pressuposto que enganam você com qualquer bobagem (caso dos 45 anos da GLOBO, associado num comercial da rede à candidatura José Collor Arruda Serra, ao seu partido cujo número é 45 e ao seu slogan, “O Brasil pode mais”), ou de pesquisas montadas e carimbas para favorecer o dito produto, quer dizer candidato Arruda Serra, enfim, tudo o que for possível dentro ou fora da lei, mentira ou verdade, para alcançar o objetivo.
E se num determinado momento falam alguma verdade, tenha a certeza que o fazem por desonestidade, por conveniência. Só por isso.
A tal moça seqüestrada na Colômbia que estava morrendo de fome, envelhecida dez anos, com hepatite, o diabo a quatro, Ingrid Bettancourt, quando foi solta vendia beleza, logo de saída uma empresa de cosméticos tratou de patrociná-la e lançou-a candidata ao prêmio Nobel da Paz. Por pouco não leva. “Ingrid Bettancourt cuidou-se no cativeiro usando o produto tal”. Seria a faixa principal da grande festa.
Não deu. Tem horas que falha.
Um dos expedientes usados pelos profissionais desse tipo de negócio, eleições, é desqualificar o adversário mais perigoso do ponto de vista eleitoral. À falta de argumento inventam toda a sorte de mentiras, de situações desfavoráveis, criam irrealidades e plantam-nas com a maior cara de pau do mundo, até porque a coligação que apóia José Collor Arruda Serra não é só de partidos políticos oficialmente aceitos assim.
Tem o partido REDE GLOBO, o partido FOLHA DE SÃO PAULO, o partido TEVÊ BANDEIRANTES, o partido VEJA, o partido RBS, um monte de pequenos partidos estaduais e regionais a mostrar no sul as obras que não foram feitas no norte e a mostrar no norte as obras que não foram feitas no sul.
Engodo puro.
É como vender remédio para prisão de ventre como se fosse remédio para diarréia.
Arruda Serra numa viagem a Porto Alegre criticou o bloco do MERCOSUL. Países sul americanos que têm tratado de livre comércio, formam um bloco como o é a Comunidade Européia, o NAFTA (México, Canadá e EUA).
Os países da Europa e os EUA em parceria com o Canadá (extensão do território norte-americano) perceberam que a realidade da chamada nova ordem política e econômica implica em acordos de livre comércio para garantir-lhes a economia. A pujança, digamos assim.
No caso da América Latina inventaram uma tal de ALCA. ASSOCIAÇÃO DE LIVRE COMÉRCIO DAS AMÉRICAS. Funciona mais ou menos assim. O México, que tem um tratado semelhante com os EUA e o Canadá, recebe o lixo hospitalar de empresas norte-americanas. Aí o prefeito da cidade onde o lixo é depositado resolver proibir que assim seja feito. O tratado garante à empresa o direito de fazê-lo e mais que isso, o de ingressar em juízo em qualquer parte do território abrangido pelo NAFTA.
Vai daí que a empresa entra em juízo em uma corte dos EUA, o México tem que aceitar, a cidade onde o lixo é depositado, perde a ação e ainda tem que pagar multa por não ter cumprido um dos itens do tratado. O lixo continua a ser despejado lá. Mexicanos que se danem.
Se reações existirem, os mariners estão prontos para entrar em ação, garantir a democracia no México, as liberdades e os direitos humanos, deles, norte-americanos e canadenses, naquilo que o general Colin Powell, referindo-se à ALCA, chamou de “mercado de um trilhão de dólares”.
Nessa prática assinam os contratos. Em letras garrafais o progresso, o bem estar, que nunca acontece, em letras miúdas, todo o ônus de qualquer defeito no processo. Para você.
Compram governos, deputados, senadores (no Brasil alguns colocam placa de vende-se tudo à porta de seus gabinetes, Kátia Abreu por exemplo), governadores, prefeitos, associam-se a elites econômicas como o esquema FIESP/DASLU e contratam políticos confiáveis, investindo nos caras, já que a mídia é deles, é venal, é comprada, para que possam realizar as grandes negociações.
Só para efeito de raciocínio, se a EMBRAER – EMPRESA BRASILEIRA DE AERONÁUTICA – não tivesse sido privatizada por FHC, estaríamos hoje com tecnologia nacional em condições de competir no tal mercado internacional no negócio dos grandes aviões de transportes de passageiros. Privatizada, a empresa é também emasculada em função dos interesses dessas grandes empresas, as dos donos.
Abrimos mão de construir nosso futuro. Transferimos o poder de decisão para Washington. É só um exemplo. IMBEL e ENGESA foram liquidadas pelos grandes fabricantes de armas do mundo quando perceberam que essas duas empresas estavam começando a produzir com tecnologia superior à de norte-americanos, franceses, belgas, ingleses, etc.
Restam PETROBRAS, BANCO DO BRASIL e uma ou outra. Já se ouriçam com a idéia do presidente Lula de desenvolver um programa de banda larga que torna o acesso a internet barato e pleno, possível a todos, através da TELEBRAS.
A PETROBRAS exporta tecnologia de ponta em diversos setores de suas atividades.
O processo de enriquecimento de urânio no Brasil, para fins pacíficos, é superior ao dos EUA e as pressões para que seja mostrado, a pretexto de inspeção são anormais.
Contam com apoio de parte das forças armadas seduzidas pelo “patriotismo” daqueles que se submeteram em 1964 ao comando de um general dos EUA.
José Collor Arruda Serra é um produto que já vem com todos os defeitos desse modelo sórdido, colonizador, cruel e perverso. É só aparência, produto de marketing, tente buscar alguma coisa efetiva ou concreta que tenha feito que não apropriar-se de feitos de outros, como no caso dos genéricos (o ministro da Saúde responsável pela criação e implementação do projeto foi Jamil Haddad, no governo Itamar Franco) e FHC foi contra, era ministro da Fazenda.
Faça uma comparação entre os governos de Lula e FHC. Há “defeitos” em Lula, claro que os há, mas veja o significado de uma eventual eleição de Arruda Serra.
Leia as letrinhas miúdas do contrato.
Se isso acontecer vamos voltar à idade da pedra lascada. Mas os patrões dele, os que movimentam as cordinhas não. Vão levar o Brasil inteiro e não vai ter jeito de você trocar o produto, os caras são espertos demais, amarram tudo nas tais letrinhas miúdas, inclusive as mentiras que vendem diariamente através da grande mídia, ou do próprio candidato.
É só comparar o discurso com a prática. Não precisa mais nada.
Quando Arruda Serra investe contra o MERCOSUL, a integração latino-americana, está também investindo, por tabela, na ALCA, aquele negócio de virarmos depósito de lixo dos EUA e das grandes potências.
E nos grandes negócios que sustentam tucanos e seus aliados. As letrinhas miúdas, as letras imensas prometem Disneylândia, quando no duro oferecem um parque de diversões onde a roda gigante não funciona e a montanha russa deixa você de cabeça para baixo o tempo todo.
É por aí que vamos nos estrepar. Se não atentarmos para as letras miúdas do tal contrato.
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